Dois poemas de Ethel Feldman

 

 

 

Ethel Feldman

 

(Ilustração de Adão Cruz)  

 

 

 

Noite

 

Se me vires chorar, não te assustes, a lágrima é doce e me faz cantar.

Quando a saudade se entranhar no meu corpo, farei dela minha companheira,

como se fosses tu a ocupar-me  inteira.

Se a dor parecer tamanha, descobrirei nela a felicidade.

No fim da noite abrigarei o dia.

 

 

 

 

 

Falta

 

Se ficar por aqui mais um instante

chorarei a ausência que permanece

memória que me assiste

quando me perco

falta que invade meu corpo

bem no meio do coração

um sorriso como se fosse outro abraço

desligo a luz

invento o infinito

que nunca teve início nem fim

por dentro de mim

um beijo que não encontra pouso

 

 

 

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