Imagens da Europa, imagens que os fotógrafos não tiram, imagens que a economia criou ou transformou, imagens que fazem de Berlim o centro da Europa, imagens a que se acrescentam duas de Xangai, para nos dar sobretudo a ideia da Europa de hoje.
A balança comercial da Alemanha e o euro
Os excedentes comerciais da Alemanha têm origem nas relações comerciais com :
Um total de 41% do excedente da Alemanha vem da França, Itália, Espanha e (espantem-se!) da Grécia, para onde a Alemanha ainda continua a exportar o máximo que pode e com todos os meios que pode,como gangbusters, apesar daGrécia ser um país pobre, a estar já no seu quinto ano de recessão. Na verdade, o excedente comercial da Alemanha por pessoa, com a Grécia é 3,6 vezes maior do que o é com os EUA (290 euros por habitante grego versus 81 euros por americano).
A conclusão é a de que a Alemanha é o maior vencedor do sistema câmbial a taxa fixa do euro e que a introdução do euro permitiu que a economia alemã crescesse a uma taxa razoável apesar do fraco nível da procura interna. Se o euro nunca tivesse existido , a fraca procura interna na economia alemã seria um problema muitíssimo maior. O euro terá começado como sobreavaliado face ao marco, principal moeda do sistema, ganhando assim a Alemanha uma insosfismável vantagem competitiva e portanto o marco entrou subavaliado face às restantes moedas. Com o euro caro face ao exterior, a Alemanha mantinha as exportações para os seus principais parceiros europeus, a China aparece depois e, mais ainda, a Alemanha por essa via mantinha o valor das suas importações baixo, o que a ajudava na politica de deflação salarial e na redução de mais custos, das matérias-primas necessárias para a produção. Para além disto, a queda do bloco Leste tornou disponível uma mão-de-obra altamente qualificada e a muito baixo custo, mão-de-obra do século XXI a trabalhar até aí com máquinas do século XIX, para utilizar uma expressão de Gunther Walraf. Um bónus caído do céu e tão importante que o seu primeiro impacto segundo os mais conceituados analistas seria um aumento do PIB na ordem de 1 a 1,5 do PIB alemão. Adiciona-se ainda a política de deflação salarial ou de desinflação competitiva seguida desde Scheroeder em que se atacou duramente o Estado Providência e temos a panóplia de isntrumentos que estão na base dos famosos excedentes alemães e do aumento de competitividade via preço ganho face aos seus parceiros europeus. Uma verdadeira mix em termos de arsenal de políticas que estiveram pois na base do modelo de crescimento alemão dinamizado e sustentado pela via das exportações, o modelo led-grouth via exportações, exportações primeiro e fundamentalmente para os Estados membros da Zona euro e depois para a China igualmente. Podemos pois pensar que uma crise com a intensidade de 2008 repetirá o comportamento de então em que o excedente comercial caiu perigosamente. E é isso o que pode acontecer em breve e, com isso, a terrível dúvida : o que poderá acontecer a esta Europa desnudada de políticos sérios e com coragem para a levar a bom porto ?
A evolução do euro
Imagens de algures, imagens de Xangai, imagens que também refletem agora esta situação uma vez que a Alemanha, pasme-se, é deficitária face às China :
Shanghai 1990, Shanghai 2010
E de fotografias, pensadas, tiradas, é tudo.
Textocriado a partir de Edward Harrison, I hold this truth to be self-evident, that a debt crisis cannot be resolved with more debt, Sudden Debt




