15. Edição do álbum “Movimento Perpétuo”, de Carlos Paredes; sequência lógica do LP “Guitarra Portuguesa” (1967), neste álbum o músico apresenta-se ainda mais inspirado e arrebatador; como escreveu Mário Correia, «é um Carlos Paredes demolidor das nossas veias, revolvendo-nos as entranhas de povo colectivo emergindo das cordas da guitarra, aquele que anima este “Movimento Perpétuo”»; o acompanhamento é na viola de Fernando Alvim, surgindo em “Mudar de Vida” (Tema e Música de Fundo YouTube] do filme homónimo realizado por Paulo Rocha) a flauta de Tiago Velez; aos outros temas todos da autoria de Carlos Paredes – “Movimento Perpétuo”,”Variações em Ré menor”, “Danças Portuguesas N.º 2”, “Variações em Mi menor”, “Fantasia N.º 2”, “Variações sobre uma Dança Popular”, “António Marinheiro” (tema da peça de Bernardo Santareno) e “Canção” –,o guitarrista adicionou “Valsa” composta pelo seu avô paterno, Gonçalo Paredes;
16. Edição do álbum “Cantigas de Amigos”, de Natália Correia, Amália Rodrigues e Ary dos Santos; o mais desconhecido (a edição em CD só aconteceu em finais de 2011) e, no entanto, um dos títulos mais encantadores da discografia de Amália; tudo teve origem na publicação em 1970, pela Editorial Estampa, do livro “Cantares dos Trovadores Galego-Portugueses”, apresentando para cada espécime o texto original e a respectiva versão em português moderno da lavra da poetisa Natália Correia, grande amiga de Amália Rodrigues; a elas se juntou outro dilecto amigo, Ary dos Santos, e assim ficou completa a trindade de vozes que, suportadas pelas guitarras portuguesas de José Fontes Rocha e Carlos Gonçalves, a viola de Pedro Leal e a viola baixo de Joel Pina, deram nova vida a um punhado de 14 trovas medievais (maioritariamente cantigas de amigo e de escárnio e maldizer): “Vim Esperar o Meu Amigo”, “Vem Comigo, Irmã”, “Perigosas Elas São”, “Ah, Quisesse Deus”, “Senhora que Bem Pareceis”, “E Pede-Me Agora o que Não Devia” , “O Rapinante”, “Uma Pastora Delgada”, “Lá Vão as Flores”, “Nem por Rei ou Infante Eu me Trocaria”, “Sejamos como Toda a Gente”, “Ai, Dona Feia, Foste-vos Queixar”, “Amores Eu Tenho” e “Alegre Eu Ando”; o ramalhete ficou completo com a “Ermida de São Simeão” que Amália gravara em 1964; a belíssima capa do álbum tem a assinatura de outra conviva dos serões amalianos, a pintora Maluda.
T
odos (ou quase todos) estes itens podiam ser devidamente ilustrados, ora com registos do arquivo da RDP (entrevistas, adaptações de peças de teatro e de obras romanescas, recitações de poemas, etc.) ora, no caso de repertório musical, com gravações discográficas.
Não cabia tudo em 50 minutos? Problema nada difícil de resolver: em vez de uma única edição (lacunar, espartilhada e cinzenta), façam duas – mais completas, desafogadas e variegadas.
Renova-se o pedido: deseja-se que “A Vida dos Sons” seja menos cinzenta e mais multicolor.
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