Eugene Luther Gore Vidal (1925 – 2012) faleceu ontem em Los Angeles, devido às complicações resultantes de uma pneumonia. Trata-se de um escritor de primeira linha, que muitos colocam ao mesmo nível de Norman Mailer e de Truman Capote. Produziu uma vasta obra de ficção, que vai desde o romance histórico, com Juliano, sobre o imperador romano apóstata, e também Burr, Lincoln e outros, decorridos em épocas sucessivas da vida dos EUA, indo até à sátira, com Myra Breckinridge, Myron, Duluth e mais. Contou entre os seus admiradores Gabriel García Márquez, Italo Calvino. Foi um ensaísta prolífico, muito frontal, classificado como iconoclasta e demolidor, tendo os seus trabalhos sido reunidos num conjunto, United States Essays, 1952-1992, pelo qual obteve o National Book Award em 1993. Em 2008 foi publicado um volume de ensaios escolhidos. Gore Vidal abordou uma grande variedade de temas, incluindo política, sexualidade, literatura. Crítico sem complexos, abordava Edgar Rice Burroughs como William Dean Howells, Tennessee Williams ou T. S. Elliot. O seu ensaio sobre o 11 de Setembro, Black Tuesday, deu brado. Classificou a administração Bush como “estranhamente inepta em tudo, menos principal que é livrar os ricos de impostos”…
Foi autor de peças para a televisão e para o cinema. Interveio como actor em vários filmes. Chegou a participar em eleições secundárias para o Partido Democrata. Oriundo de uma família com ligações à alta sociedade, parente de Al Gore, Jacqueline Kennedy, nunca deixou de manter a distância ao sistema.


Lamento o desaparecimento de mais este grande escritor precisamente no momento em que leio o seu livro de memórias entre 1964 e 2006, “Navegação Ponto por Ponto” e me aguarda “A Idade do Ouro”, o tão aclamado romance sobre uma época por que me interesso particularmente: o período da presidência de Franklin D. Roosevelt e da Segunda Guerra Mundial.