DIÁRIO DE BORDO, 14 de Agosto de 2012

George Monbiot, ontem, no Guardian, recordava-nos que os preços dos alimentos estão a subir e que isso se deve a uma série de razões, que incluem as alterações climatéricas, cuja existência muitos responsáveis governamentais continuam a recusar reconhecer, e a aposta nos biocombustíveis, que consomem grande parte dos cereais que deveriam ser encaminhados para a alimentação. Arnaud Parenty, nas Alternatives Économiques, escrevendo sobre as questões à volta da taxa LIBOR (ver a seguir, às 13 horas, aqui n’A Viagem dos Argonautas, na tradução de Júlio Marques Mota) dizia: Em particular, desde há dois meses, o mundo financeiro está chocado com o escândalo de manipulação de LIBOR. A história não tem nada de  muito original: os maiores bancos do mundo decidiram enriquecerem-se à custa dos seus clientes.

A concentração de poder toma a forma de concentração de riqueza, na sua forma mais frequente. Os casos de chefes de estado que aparentam uma vida pessoal austera são pouco frequentes na história, e cada vez menos hoje em dia. Essa aparente austeridade pessoal escondeu sempre ambições desmedidas, e cumplicidades com grandes jogos de interesses. Hoje em dia as democracias representativas, cada vez mais controladas por lobbies muito poderosos, permitem que os seus cidadãos sejam presa fácil de pequenos grupos de pessoas, estribadas em oligarquias dominantes, cada vez mais unidas entre si. É verdade que por vezes há choques de interesses, que se transformam em disputas e em guerras de todos os tipos. A história do século XX oferece-nos muitos exemplos, a começar pelas guerras mundiais.

Os sistemas bipartidários, muito elogiados no passado por democratas sinceros, são na realidade presa fácil para tais lobbies. E os sistemas de bloco central, como hoje temos em Portugal, são apenas uma variante desses sistemas bipartidários. A marginalização dos movimentos, partidos e grupos de esquerda, a diabolização (ou ridicularização, que vem a dar na mesma) das personalidades mais evidentes ligadas a estes, fazem parte do esquema preventivo de alteração desses sistemas bipartidários.

Os sistemas de partido único, ou pretensamente apartidários também já mostraram a sua permeabilidade. O avanço da democratização tem de ter permanentemente em conta a vulnerabilidade das instituições às influências dos interesses organizados que lhe são exteriores. E analisar diariamente a evolução desses interesses.

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