POESIA AO AMANHECER – 43 – por Manuel Simões

José Afonso –  Portugal

                                                           ( 1929 – 1987 )

OLHAI O NARDO E A CICUTA

Olhai o nardo e a cicuta

Domadores

Em todos os trapos e bandeiras

Se edificaram sonhos absurdos

E Impérios

Se os meus ossos te consentirem

Se os meus ombros se vergarem

Eu te darei minha anuência

Lúgubre

Como um silêncio sem fronteiras

– Homens que dobrariam cavalos

Se não dobrassem homens?

Que edificariam países e rios

Mas nem vontades mataram

A morte espera-vos

Na justiça dos tempos

Lourenço Marques, 1965

(de “Cantar de Novo”)

O grande cantautor de baladas e canções que todos trazemos na memória e no coração, também escreveu poemas, como o aqui apresentado, não destinados (ou destináveis) a interpretação musical. Mas percorrendo a riquíssima discografia do cantor encontram-se tantos e belos poemas (“Cantar alentejano”, “Canto jovem”, “Coro dos caídos”, “Coro da Primavera”, “Os eunucos”, entre outros) que têm lugar na antologia da poesia portuguesa da segunda metade do século XX.

 

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