José Afonso – Portugal
( 1929 – 1987 )
OLHAI O NARDO E A CICUTA
Olhai o nardo e a cicuta
Domadores
Em todos os trapos e bandeiras
Se edificaram sonhos absurdos
E Impérios
Se os meus ossos te consentirem
Se os meus ombros se vergarem
Eu te darei minha anuência
Lúgubre
Como um silêncio sem fronteiras
– Homens que dobrariam cavalos
Se não dobrassem homens?
Que edificariam países e rios
Mas nem vontades mataram
A morte espera-vos
Na justiça dos tempos
Lourenço Marques, 1965
(de “Cantar de Novo”)
O grande cantautor de baladas e canções que todos trazemos na memória e no coração, também escreveu poemas, como o aqui apresentado, não destinados (ou destináveis) a interpretação musical. Mas percorrendo a riquíssima discografia do cantor encontram-se tantos e belos poemas (“Cantar alentejano”, “Canto jovem”, “Coro dos caídos”, “Coro da Primavera”, “Os eunucos”, entre outros) que têm lugar na antologia da poesia portuguesa da segunda metade do século XX.
