António Franco Alexandre – Portugal
( 1944 – )
“FOSSES TU DEUS, SERIA EU SANTO”
Fosses tu deus, seria eu santo
alimentado a areia e gafanhotos,
sem cessar meditando o único nome
que o horizonte deserto não contém.
Sonho que acordo dentro do meu sonho
para o saber mais certo e mais real;
como o místico leio nas entranhas
da ausência a tua sombra desenhada.
E no entanto és gente, sangue e terra,
corpo vulgar crescendo para a morte;
incerto no que fazes, no que sentes,
e cioso do tempo que me dás.
Porque sei que me esqueces é que lembro
cada instante o que perco e não vem mais.
(de “Duende”)
Estreou-se com “Distância” (1969) e a sua poesia recupera a lírica de amor, embora com aspectos inovadores e contemplando, ao mesmo tempo, uma dimensão metafísica. Da sua obra poética destacam-se: “Sem palavras nem coisas” (1974), “Os objectos principais” (1979), “A pequena face” (1983), “Oásis” (1992) e “Due

