POESIA AO AMANHECER – 33 – por Manuel Simões

António Franco Alexandre – Portugal

( 1944 –  )

“FOSSES TU DEUS, SERIA EU SANTO”

Fosses tu deus, seria eu santo

alimentado a areia e gafanhotos,

sem cessar meditando o único nome

que o horizonte deserto não contém.

Sonho que acordo dentro do meu sonho

para o saber mais certo e mais real;

como o místico leio nas entranhas

da ausência a tua sombra desenhada.

E no entanto és gente, sangue e terra,

corpo vulgar crescendo para a morte;

incerto no que fazes, no que sentes,

e cioso do tempo que me dás.

Porque sei que me esqueces é que lembro

cada instante o que perco e não vem mais.

(de “Duende”)

Estreou-se com “Distância” (1969) e a sua poesia recupera a lírica de amor, embora com aspectos inovadores e contemplando, ao mesmo tempo, uma dimensão metafísica. Da sua obra poética destacam-se: “Sem palavras nem coisas” (1974), “Os objectos principais” (1979), “A pequena face” (1983), “Oásis” (1992) e “Due

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