APAGAR O FOGO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

Um dia, quando Sara,  a  governanta  preta,  tinha  a  idade  que  hoje  tem a sua neta, de surpresa derrubei-a num campo de milho, quis forçá-la. Não resistiu, sabia que não valia a pena. Defendeu-se apenas com palavras:

– Sinhô Eurico, iô gradeço peró num mereço. Mecê vai sujá su brancura na mi carne tam escura.         

 Até durante a agonia inventava rimas, gostava muito de cantar. É esperta, aquela negra. Apenas com uma frase apagou-me o fogo.

 O que diria o meu Pai se soubesse o que tinha, ou não tinha acontecido, naquele campo de milho?

 In A COR DOS HOMENS

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