Um Café na Internet
Um dia, quando Sara, a governanta preta, tinha a idade que hoje tem a sua neta, de surpresa derrubei-a num campo de milho, quis forçá-la. Não resistiu, sabia que não valia a pena. Defendeu-se apenas com palavras:
– Sinhô Eurico, iô gradeço peró num mereço. Mecê vai sujá su brancura na mi carne tam escura.
Até durante a agonia inventava rimas, gostava muito de cantar. É esperta, aquela negra. Apenas com uma frase apagou-me o fogo.
O que diria o meu Pai se soubesse o que tinha, ou não tinha acontecido, naquele campo de milho?
In A COR DOS HOMENS

