EM VIAGEM PELA TURQUIA – 7 – por António Gomes Marques

(Continuação)

O apóstolo continua, em Éfeso. Trabalha para viver e transmitir aos outros a sua vida. […]. Estão numa cidade helenizada e corrompida, hostil à rigidez dos mandamentos e às ferocidades da virtude. […]

[…]

Paulo, em casa de Áquila, assiste ao êxito da sua prédica. […]

[…]

Paulo quer partir e ficar! […] É quando estala, em Éfeso, uma revolta contra ele. Provoca-a o célebre ourives Demétrio, fabricante de miniaturas em preata do Santuário. Vendia-as, em grande quantidade, aos romeiros de Diana. A palavra do apóstolo obscurecia a deusa no seu prestígio e prejudicava a indústria artística do ourives. […] A venda das naos diminuía… Demétrio, furioso, reúne os operários da sua oficina e os bandidos protegidos de Artemisa. […] Certo personagem importante, aborrecido da balbúrdia, apazigua os ânimos, invocando a autoridade romana. É o bastante para que a ordem se restabeleça, contra o ourives pagão a favor do apóstolo cristão.

Mas Paulo, desgostoso, e receando novas cenas violentas, decide partir para Corinto, […].

 (A transcrição é longa, mas fico com a esperança de conseguir mais alguns leitores para o «livro genial», como lhe chama António Pedro Vasconcelos, de Teixeira de Pascoaes, «São Paulo», edição da Assírio & Alvim, Lisboa, 2.ª edição, Abril de 2002.)

 Mas Éfeso, para além de ser o local histórico que talvez seja o mais conhecido da Turquia, merece outras referências para além de ser o local de pregação do Apóstolo S. Jão e de São Paulo. As escavações arqueológicas, iniciadas em finais do século XIX, continuam ainda hoje. Apesar de do Templo de Artemisa do século III a.n.e., considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, se conservar apenas uma coluna, há muitas outras Maravilhas do Mundo Antigo para apreciar.

 Para além de ser uma das grandes cidades jónicas na Ásia Menor, começa logo por nos espantar com a sua localização, já que para além dos montes que a rodeiam, houve ainda a preocupação de a construir junto a um rio, o Cayster, que vai desaguar, ali bem perto, no Mar Egeu. Não lhe faltava a água para irrigar os vastos campos agrícolas e o porto de mar por onde saíam os seus produtos.

 Os seus fundadores foram colonos vindos principalmente de Atenas e a sua população chegou a cerca de 500.000 habitantes, sendo a quinta mais populosa do império, com um dos maiores teatros e, hoje, o mais antigo do Mundo. As suas ruas são concebidas segundo o chamado plano entramado, dado que se cruzam todas entre si.

 Iniciámos a visita pela parte alta da cidade, logo visitando um pequeno anfiteatro onde decorriam espectáculos musicais e também reuniões do Senado, com 1400 lugares; descemos a rua dos Curetes, indo de espanto em espanto: são as «Termas de Varius» e, maravilha, a bem visível rede de abastecimento de água à cidade por condutas de terra cozida, colunas jónicas e coríntias. Ainda na Rua dos Curetes, podemos ver o sistema de esgotos que desembocavam no mar, a Fonte de Pólio, as ruínas do Templo de Domiciano, a Fonte de Trajano, as Termas de escolástica, o Templo de Adriano e, espantem-se, as Latrinas Públicas.

 Convém referir que estas latrinas dispunham de água corrente que levavam os dejectos à rede de esgotos, mostrando que as necessidades naturais dos habitantes de Éfeso não eram descuradas.

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Biblioteca de Celsius ao fundo; à direita na fotografia, entrada para a Ágora

A Ágora tem o tamanho de um quadrado de 100 metros de lado, onde ainda podem ver-se muitas das colunas originais, mas já não as lojas do mercado.

Da Rua dos Curetes (ou dos Corétios?) parte a Rua de Mármore, ao fim da qual encontramos o Grande Teatro, de que já fAllahmos e de que atrás se reproduzem duas fotografias.

 (Continua)

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