Nota de leitura, de João Machado
Richard Sennett (1943 – ) é professor de sociologia na Universidade de Nova Iorque e na Escola de Economia de Londres. Nasceu em Chicago, oriundo de uma família de esquerda. O pai combateu na Guerra Civil de Espanha, e era fervoroso admirador da cultura catalã, tendo chegado a traduzir poesia. Sennett tentou uma carreira musical, mas teve de deixar o violoncelo devido a problemas no túnel cárpico. Dedicou-se então à sociologia, tendo-se debruçado sobre os problemas do trabalho, da vida nas cidades e das classes sociais. Chegou a escrever obras de ficção.
A sua obra científica mais famosa terá sido The Hidden Injuries of Class (1972), que escreveu com Jonathan Cobb, e em que aborda a maneira como se forma a identidade das classes trabalhadoras. Neste post apresentamos dois trechos de The Corrosion of Character (1998), na tradução portuguesa para a Terramar, de 2000, feita por Freitas da Silva e prefaciada pelo professor Carlos Fortuna, da Faculdade de Economia Universidade de Coimbra. Apresentamos a seguir um vídeo em que o professor Carlos Fortuna apresenta a obra.
Damos a seguir um link de um artigo sobre Richard Sennett já com onze anos, mas ainda como muito interesse.
http://www.guardian.co.uk/books/2001/feb/03/books.guardianreview4
Trecho I – pág. 34
… Os líderes empresariais e os jornalistas põem ênfase no mercado global e no uso de novas tecnologias como marcas do capitalismo do nosso tempo. Isto é bastante verdadeiro, mas esquece outra dimensão de mudança: novas maneiras de organizar o tempo, particularmente o tempo de trabalho.
O sinal mais tangível dessa mudança poderia ser o lema “Nada de longo prazo”. No trabalho, a progressão tradicional na carreira passo a passo através dos corredores de uma ou duas instituições está a desaparecer; tal como o emprego de um único conjunto de técnicas no decurso de uma vida de trabalho.
Trecho II – pág. 78
No princípio dos anos 90, a American Management Association e as Empresas Wyatt realizaram estudos de empresas que se empenharam seriamente no downsizing. A AMA descobriu que repetidos downsizings produzem “menores lucros e uma decrescente produtividade dos trabalhadores”; o estudo da Wyatt descobriu que “menos de metade das empresas atingiu os seus objectivos de redução da despesa; menos de um terço aumentou a rentabilidade e menos de uma em cada quatro aumentou a sua produtividade”. As razões deste fracasso eram em parte evidentes : o moral e a motivação dos trabalhadores caía abruptamente nos vários lances de downsizing. Os trabalhadores sobreviventes ficavam à espera da machadada seguinte em vez de exultarem com a vitória competitiva sobre os que tinham sido despedidos.
