Na passada quarta-feira, 26 de Setembro, a Igreja de Santa Maria Madalena, em Olivença, foi considerada “O Melhor Recanto de Espanha 2012”, após votação feita na Internet e promovida pela petrolífera Repsol,. Fernando Castanhinha, presidente da Associação dos Amigos de Olivença, em entrevista à Lusa, disse: “”Depois de 200 anos de ocupação espanhola de Olivença, de alienação cultural, de tentativa de apagar a língua portuguesa, é paradoxal que o representante deste concurso espanhol seja uma obra tipicamente portuguesa, que não tem absolutamente nada de espanhol” Considera esta vitória “um esforço da população oliventina” como forma de “reforçar a sua visibilidade dentro do Estado espanhol”..
Castanhinha acha que isso deve provocar uma reacção do Estado português. É melhor que espere sentado, pois não se vislumbram os estadistas portugueses capazes de exigir que Olivença seja devolvida. Olivença, foi-nos roubada em 1801. Governos da Monarquia, da República, da ditadura e democráticos, têm procedido como se a questão não existisse. Salazar, cujo «patriotismo» levou o País a envolver-se em três guerras para preservar em África! A nossa «integridade territorial», nada fez para recuperar Olivença, portuguesa desde o Tratado de Alcanises, assinado em 1297. Depois do 25 de Abril, só o almirante Pinheiro de Azevedo, com o seu discurso populista, aludiu ao caso. Porém, o estado espanhol nunca se calou com a questão de Gibraltar. Daniel Hannan, político, escritor e jornalista inglês, pergunta: «Se a Espanha quer Gibraltar, quando pensa devolver Olivença?».
Espanha tem direito moral a Gibraltar, pequeno pedaço da Andaluzia, tal como Olivença pertence ao nosso Alentejo. Na realidade, do ponto de vista estritamente ético, o estado espanhol não pode reclamar do Reino Unido a devolução do território gibraltino, sem primeiro devolver Olivença a Portugal, bem como Ceuta e Melilha a Marrocos. O jornalista inglês lembra que Portugal perdeu Olivença na sequência de uma ofensiva franco-espanhola a que foi sujeito devido à sua fidelidade à Aliança com o Reino Unido. Portanto, Hannan entende que o governo de Sua Majestade britânica devia mover a sua influência junto das instâncias internacionais para que Olivença nos fosse devolvida. É tempo de se acabar com duas pequenas colónias na Europa – Gibraltar e Olivença. Os argumentos para que não se reivindique Olivença são:
É um caso muito antigo, deve ser esquecido. Não vamos levantar quezílias do passado,
.A anexação de Gibraltar é um século mais antiga e os governos espanhóis, monárquicos, republicanos, fascistas, democráticos, nunca deixaram de exigir a restituição do território..
Vamos criar um conflito com Espanha por causa de uma vilória?
A cidade de Olivença e as sete povoações que completam o território, perfazem uma área de 750 km2. A área de Gibraltar? – 6,5 Km2. Olivença é cerca de 115 vezes maior do que Gibraltar.
Os oliventinos não querem ser portugueses.
Isto será verdade: segundo julgamos saber, na sua maior parte os oliventinos, querendo ver respeitadas as suas raízes culturais, nomeadamente a língua portuguesa, não querem deixar de ser espanhóis. E quem os obriga a ser Portugueses? Estamos todos na União Europeia. Uma cidade portuguesa pode ser maioritariamente habitada por cidadãos estrangeiros, embora comunitários. Os gibraltinos também preferem ser britânicos e isso nunca impediu a diplomacia espanhola de reivindicar a restituição do território. A restituição de Olivença a Portugal não obriga ninguém a mudar de nacionalidade, se não o quiser. Quando muito obrigaria a manobras de logística administrativa entre os dois estados, substituindo os funcionários públicos, incluindo as forças da ordem, por cidadãos portugueses, oliventinos ou não. Todos os problemas que Portugal enfrentaria em Olivença, seriam semelhantes aos que Espanha teria de resolver caso Gibraltar lhe fosse restituída.
Não devemos criar problemas com um estado vizinho e que está na União Europeia, .
Porque será então que os espanhóis, que deviam ter com o Reino Unido os mesmos pruridos diplomáticos e de boa vizinhança, não deixam de reclamar Gibraltar? Quererão dar-se mal com um estado importante da União Europeia?
Cobardia diplomática, a verdadeira razão.
Todos os argumentos são deste jaez. Inconsistentes e procurando iludir a realidade. Porque só há uma explicação. Espanha é muito maior do que Portugal e economicamente mais poderosa. Assuma-se que é por cobardia dos governantes que não se reclama a devolução de Olivença. Já que não há coragem para exigir o que nos foi tirado, haja a frontalidade de o admitir. A questão de Olivença resume-se a isso – cobardia dos sucessivos governos portugueses e não só: os meios de comunicação social sempre tão vorazes na sua necrofagia militante, dos partidos da Oposição, da Igreja Católica, que tem opiniões sobre tudo, mesmo sobre temas em que não devia imiscuir-se. Com a sua escassez de meios, o Grupo dos Amigos de Olivença, continua a pregar num deserto de indiferença. O roubo continua impune e o ladrão dá-se ao luxo de elogiar o que roubou. Como se o elogio tornasse seu o que não o é.
