MORREU HOJE ERIC HOBSBAWN

O historiador britânico Eric Hobsbawm morreu hoje,  com 95 anos,  no hospital Royal Free de Londres, após doença prolongada, segundo informação da familia publicada no jornal diário The Guardian. Nasceu em Alexandria em 1917, estudou na Austria e na  Alemanha, sendo professor emérito da Universidade de Londres. Entre muitos outros títulos, escreveu História do século XX. 1914-1991, Guerra e paz no século XXI e a sua autobiografia – Anos interessantes.

Hobsbawm defendeu o poder das ideias de Marx para analisar o que se passa no mundo actual.  O seu compromisso com os principios do comunismo transformaram-no numa figura controversa, em especial pela sua militância no Partido Comunista britânico, inclusivamente depois da invasão soviética da Hungria em 1956.

Estudou na Escola de Gramática de Marylebone e no Kings College, Cambridge, antes de ser nomeado professor da Universidade de Birkbeck em 1947. Foi o inicio de uma longa relação com esta universidade, da qual acabou por ser reitor. Em 1978 ingressou na British Academy. Foi muito crítico acerca do  Partido Trabalhista que, na sua opinião, não se adaptou às transformações sociais. Determinante  na criação de um novo conceito de trabalhismo, exprimiu mais tarde a sua decepção relativamente ao governo de Tony Blair.

 Em entrevistas recentes, disse:

Sobre o poder do marxismo.

“Os marxistas acreditavam que a classe operária ia crescer, quando o que aconteceu foi  que diminuiu e que países como os Estados Unidos ou  a Inglaterra se estão mesmo a   desindustrializar”.

 Sobre os fundamentalismos.

“Afecta todas as religiões. No caso islâmico, a revolução que triunfou no Irão tinha uma forte vontade de consolidar um Estado, de o centralizar e modernizar. Os fundamentalistas judíeus são desde 1967  os mais acérrimos defensores de Israel e reclamam as suas ambições imperialistas. E não podemos esquecer o acréscimo de fundamentalismo entre os católicos com os últimos papas e as comunidades protestantes nos Estados Unidos”.

Sobre o terrorismo islamista.

“O seu poder militar é mínimo. O atentado em Nova Iorque não chegou a desestabilizar a cidade mais do que durante unas horas. Deve sublinhar-se que existem lugares (Afeganistão, Paquistão, no Médio Oriente) onde os grupos terroristas desempenham um papel políticamente importante, e não podem ser ignorados. Outra coisa é o terrorismo islamista nos nossos países. Corresponde a uma reacção antiimperialista”.

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