Catalunha: mais um passo no caminho para a independência

 

No passado dia 27 de Setembro, contabilizados 131 votos em 135 possíveis, o Parlamento da Catalunha aprovou a convocação duma consulta sobre a autodeterminação para a próxima legislatura (2014?), constatando que “os intentos e enquadramento de Catalunha no Estado espanhol e as suas reiteradas respostas são hoje uma via sem saída” pelo que “Catalunha deve iniciar uma nova etapa baseada no direito a decidir”.

A resolução foi aprovada por uma maioria de 84 votos a favor, 21 contra e 25 abstenções. A favor do referendo, votaram a CiU – Convergència i Unió (conservadores), ERC – Esquerra Republicana de Catalunya, ICV/EUiA – Iniciativa per Catalunya Verds/Esquerra Unida i Alternativa, SI – Solidaritat Catalana per la Independència, DCat – Democràcia Catalana e o deputado socialista Ernest Maragall. Votaram contra o PP – Partido Popular e o partido de extrema-direita Ciutadans de Catalunya. O Partido Socialista Catalão absteve-se.

Deste modo o Parlamento expressou “a necessidade de que a Catalunha faça o seu próprio caminho, constatando a necessidade de que o povo catalão possa decidir livre e democraticamente o seu futuro colectivo, para garantir o progresso social, o desenvolvimento económico, o fortalecimento democrático e a promoção da cultura e da língua próprias”.

A decisão do parlamento catalão tem lugar após as últimas sondagens indicarem que mais de 50% dos inquiridos declaram apoiar a independência da Catalunha e a sua secessão do estado espanhol e depois de Barcelona ter visto no passado 11 de Setembro, dia nacional da Catalunha, a maior manifestação pró-independentista que fez sair à rua cerca de 2 milhões de pessoas.

Esta sessão encerrou a actual legislatura e realizar-se-ão eleições antecipadas na Catalunha em 25 de Novembro deste ano, das quais resultarão o novo parlamento e governo da comunidade autónoma catalã.

 As movimentações e apoio popular à causa da autodeterminação têm crescido de tal modo que assustaram verdadeiramente o centralismo espanhol – também ele, agora, convencido que a independência catalã se pode tornar realidade e que atrás dela outras virão – a ponto da vice-presidente do governo espanhol¸ Soraya Sáenz de Santamaría, ter sentido necessidade de afirmar publicamente que um referendo independentista na Catalunha seria ilegal e não conforme à Constituição espanhola, dado que afectaria o modelo territorial do Estado, e que o Estado espanhol dispunha de “instrumentos jurídicos e judiciais para impedi-lo e um governo estava disposto a usá-los”.

Por outro lado, o ministro espanhol da Educação, José Ignacio Wert, veio responsabilizar o ensino e a escola catalã pelo aumento da identidade e sentimento independentista e ameaçar com a imposição do espanhol (castelhano) nas escolas.

Curioso sentido da democracia este, que teme perguntar ao povo qual é a sua vontade e quer impedir as pessoas de decidir sobre o governo da sua vida.

Decidir sobre o autogoverno – a autodeterminação –  não é, afinal, o princípio primeiro, e primordial, da democracia?

Deputados aplaudem a aprovação da resolução com vista à realização dum referendo sobre a autodeterminação da Catalunha.

 

 

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