DIÁRIO DE BORDO, 5 de Outubro de 2012

Faz hoje anos a República. 102 anos, exactamente. É feriado, ao que parece que  pela última vez. O Governo, pela voz do Álvaro da Economia, (o qual, como bom neoliberal, deixa tudo para os privados) resolveu acabar com este feriado, e não só.  Claro que se tratou de mais uma das chamadas operações de cosmética, para promover a imagem do governo Passos/Portas lá fora, nas europas, nas Américas (nas Chinas, também, e no sultanato do Qatar) e nos mercados. Que puseram o país a trabalhar, etc. Claro que se fosse realmente necessário acabar com os feriados, os primeiros a ir teriam de ser os religiosos, nem que fosse em nome da separação do Estado e da Igreja. Mas isso, como se sabe, não acontece em Portugal .  A Igreja, como também se sabe, faz parte do establishment, da oligarquia, como prefiram. E negociou com o Estado em pé de igualdade, como foi notório. Faltou uma fotografia do ministro Álvaro a beijar a mão do Senhor Cardeal Patriarca.

Entretanto, ontem o PCP e o BE levaram ao Parlamento duas moções de censura, uma cada um. Ambas as moções receberam o voto favorável do PCP, BE e dos Verdes. E contra do PSD/CDS. O PS absteve-se e apareceram representantes seus nas televisões e jornais a afirmarem que o Partido Socialista era o alvo das moções de censura.  Melhor cobertura às políticas chamadas de austeridade não podia haver. Assim fica no ar a ideia de que estão na oposição, mas que simultaneamente são gente bem comportada, respeitadora de Deus, perdão, dos mercados e da City, Wall Street, etc.

Entretanto é preciso continuar a preparar a mudança. É preciso mudar alguma coisa para que isto possa ir para ainda pior. E tem de mudar alguma coisa para evitar que o povo, farto de abusos e de mentiras, nas próximas eleições (que tem de haver eleições, por causa do espectáculo para inglês ver) não vá em peso votar no PCP e no BE. Qual a solução? Arranjar outro oposicionista. Aí está ele: Marques Mendes. Este ilustre membro do PSD, já várias vezes membro do governo disse à TVI24: “Isto é um assalto fiscal. Não é um agravamento fiscal, nem um aumento fiscal enorme como dizia o ministro das Finanças, isto é uma espécie de assalto à mão armada ao contribuinte”.

Querem apostar com Diário de Bordo que Marcelo Rebelo de Sousa também vai dar umas bocas no mesmo sentido? Não iguais, mas parecidas?

Para quando o próximo governo? Aceitam-se vaticínios sobre quem vai substituir Passos/Portas. The show must go on! Mas a esta pirueta o José Lello, o magnífico deputado, não vai chamar número de circo. De modo nenhum.

Leave a Reply