DIÁRIO DE BORDO de 6 de Outubro de 2012

Um acaso ou um acto de desleixo na preparação da cerimónia, sintetiza de maneira simbólica a situação que vivemos – a bandeira nacional foi hasteada em posição invertida. O presidente da República e o presidente da Câmara de Lisboa protagonizaram uma cena caricata em celebrações realizadas “à porta fechada” no Pátio da Galé, substituindo os Paços do Concelho de onde, num cinco de Outubro de há 102 anos José Relvas celebrou o advento do novo regime. Mário Soares, com razão, justificou a sua ausência dizendo que não quisera estar presente, já que o povo não estava presente. No jantar com que o PS comemorou a data, Soares criticando a mudança de local, feita por alegadas «razões de segurança», ironizou: «Quem tem medo compra um cão».

Na Aula Magna da Universidade de Lisboa, decorreu durante o dia de ontem, o Congresso Democrático das Alternativas. Havia argonautas entre os congressistas – talvez possamos ter aqui uma análise a este congresso. Há uma evidência que dispensa a realização de congressos: sem que as pessoas de Esquerda, independentemente das suas opções ideológicas, se unam em torno de questões concretas – como a ofensiva que o neo-liberalismo está a levar a cabo contra o povo português – nada se poderá fazer. E a esquerda não é a que se contabiliza nas sondagens – essa é uma esquerda teórica, que conta como esquerdista, o Partido Socialista, maioritariamente dominado pela «sensibilidade» neo-liberal.

A esquerda, além da sua expressão parlamentar – PCP e BE – reside maioritariamente entre os não-alinhados partidariamente. Gente desiludida com os partidos. Não se trata de voltar a iludir esses cidadãos; trata-se de lhes provar que se não actuam colectivamente, a direita vencerá. O ex-líder da CGTP, Carvalho da Silva, apelou a “um acto colectivo de afrontamento” ao Governo, durante a intervenção final do Congresso.

Achamos que tem razão se, por «afrontamento colectivo», não está apenas a pensar em mais uma manifestação…

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