DIÁRIO DE BORDO, 12 de Outubro de 2012

Joseph Stiglitz, numa entrevista a Amy Goodman, em democracy.org (http://www.democracynow.org/blog/2012/6/6/

part_2_joseph_stiglitz_on_ways_to_

lessen_inequality_in_the_united_states), chamou a atenção para a importância do movimento Occupy, que demonstrou que a maioria das pessoas estão numa situação idêntica, a ser afectadas por políticas ditadas pelos interesses de minorias, os tais 1%. Informa-nos que no seu novo livro, The Price of Inequality: How Today’s Divided Society Endangers Our Future, procura demonstrar que a igualdade não é inimiga da economia, que pelo contrário, é a desigualdade que a prejudica, e mantém  uma espiral que faz resvalar o sistema político para desigualdades cada vez maiores.

Esperamos ter percebido o que Stiglitz nos quis dizer, e esperamos vir a ler o seu livro. Contudo, do que lemos, depreendemos que há um ponto capital que não aborda: os sistemas políticos não abdicam voluntariamente do poder que detêm.  Não se destroem sozinhos. Precisa de uns empurrões, umas vezes maiores, outras vezes caem mais facilmente, é verdade. Mas hoje em dia, apesar de todo o espectáculo mediático preparado para nos fazer engolir a patranha de que estamos em democracia, o poder político está mais concentrado do que nunca, e dispõe de meios ilimitados para se perpetuar. Stiglitz, na entrevista, fala muito acertadamente da importância do ensino público.  Pedindo-lhe desculpa de escrevermos o que segue sem ler primeiro o seu livro, pomos uma questão: não ignora com certeza que, neste campo, a grande medida ideológica da direita, nos EUA, em Portugal, etc., é privatizar o ensino. A privatização do ensino, embora os seus mentores afirmem insistentemente o contrário, é a via mais directa para a diferenciação social, no século XXI.

Há efectivamente uma agenda para a desigualdade social, para manter os tais 1% longe dos 99%. Trata-se de uma agenda oculta, cuja existência não é reconhecida publicamente, mas que por isso não deixa de ser muito forte e actuante. Na realidade, o ser oculta até a torna mais difícil de enfrentar. Tem de ser combatida em todos os terrenos, sem ilusões nem esmorecimentos. E nós em Portugal, muito temos de nos esforçar, que todos os dias nos apresentam novas facetas. A nossa sobrevivência, e a dos nossos filhos, estão em causa.

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