Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota
(CONTINUAÇÃO)
Sexta nuvem
(6) O novo elemento que perturba a economia global – parte III
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6.3 Factores políticos e financeiros no IDE da China
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Como assinala Albert Edwards do banco Société Génerale :
Se o período de excedentes comerciais na China é passado isto significa que o Banco Central da China, (PBOC) já não poderá criar yuans como antes. Na verdade, o contrário será verdadeiro se o yuan enfraquece então o banco central efectivamente terá que comprar a sua própria moeda vendendo então como contrapartida as suas reservas cambiais para manter a sua taxa de câmbio.
No segundo trimestre, a China teve um défice de capital de 70 mil milhões de dólares e um saldo deficitário de 12 mil milhões na balança de pagamentos. Embora os números absolutos possam ser pequenos, isto marca uma mudança maciça para a recessão através do banco da China Popular e não das engrenagens do Federal Reserve para a impressão de papel moeda , disse Edwards.
Geralmente, considera-se que a inflação é o resultado provável da criação de dinheiro sem restrições no nosso mundo da moeda fiduciária. No entanto, na realidade, os principais jogadores globais não vivem neste mundo. A maioria das autoridades permitem que a quantidade de dinheiro nas suas economias se possa ajustar, se necessário, enquanto gerem as suas taxas de câmbio em relação ao dólar dos Estados Unidos. Dois terços do crescimento da oferta de dinheiro global desde 2007 foi nestes países, com a China a contribuir só ela com 40-45%, enquanto que nos Estados Unidos o crescimento da oferta de moeda ronda os 15%.
- A criação de moeda forçada está a terminar.
Uma súbita deterioração nas contas externas dos países emergentes produz automaticamente uma grande desaceleração no crescimento da moeda. O principal motor desta é inflação, o que prejudica a capacidade das nações emergentes em atrair e em reter o capital, reduzindo a necessidade de criar dinheiro. O excedente da conta de capital da China representa cerca de metade do seu excedente total, mas este ano a situação modificou-se para um défice da conta de capital e as suas reservas cambiais estão a começar a diminuir. Como os investidores nos países emergentes aprenderam muitas vezes antes, o capital pode mover-se muito rapidamente. Uma balança de pagamentos, ancorada materialmente num excedente de conta corrente pode rapidamente tornar-se no resultado ou vir a ser condicionada pelo défice da conta de capital. Estamos perto de um tal ponto de inflexão, e se as autoridades dos países emergentes respondem, defendendo as suas taxas de câmbio, dar-se-á uma diminuição dramática na criação de dinheiro .
- O crescimento da oferta de moeda no mundo desenvolvido está a regredir
Este abrandamento pode aparecer enquanto os bancos centrais do mundo desenvolvido ainda estão a lutar para criar um crescimento robusto e sustentável e com uma ampla base monetária. O crescimento na massa monetária nos Estados Unidos diminuiu de 8% em termos homólogos para 5%, enquanto no Japão o seu crescimento tem sido pura e simplesmente nulo. Ao nível europeu a massa monetária está a crescer em torno de 3,5% anualmente, mas esta taxa parece destinada a cair, uma vez que os empréstimos ao sector privado estão a diminuir. Se o próximo passo na Europa para o federalismo fiscal vacila, a região enfrentará uma catástrofe monetária. Aconteça o que acontecer, o resultado menos provável será acelerar o crescimento do dinheiro.
A economia chinesa também tem surpreendido decisivamente pelo lado negativo neste ano com os dados de Agosto recentemente publicados a demonstrar mais uma descida na redução da sua evolução do PIB. As medidas de estímulo tem sido tardias e em grande parte ineficazes até agora. Veja-se o gráfico abaixo com a evolução recente do PIB na China:
A China continental pode agora ter ultrapassado 1 milhão de cidadãos ricos (qianwan fuweng) e com cada um deles terá mais de 10 milhões de yuan (US $1.6 m), diz-nos a última edição do “Relatório Hurun”, que mantém uma bom registo dos movimentos e dos comportamentos dos grandes capitalistas. Mas o continente parece ter dificuldade em mantê-los. Segundo o relatório, publicado em 31 de Julho, mais de 16% dos ricos da China já emigraram, ou entregaram os documentos para emigrarem para outro país, enquanto 44% pretendem fazê-lo em breve. Mais de 85% estão a planear enviar os seus filhos para o exterior para ganharem uma outra forma que não a que é dada na China e um terço deles planeiam enviar ou já enviaram os seus próprios activos para o exterior.
Este mal-estar pode ser visível num relatório bem mais obscuro, publicado no mesmo dia, pela organismo da Administração chinesa encarregado do mercado cambial, China’s State Administration of Foreign Exchange (SAFE). Este mostra que a balança de pagamentos do China tinha registado um défice no segundo trimestre, o que acontecia pela primeira vez desde 1998. Simplificando, foi mais o dinheiro que saiu da China do que aquele que entrou.
O mesmo fenómeno pode ser descrito de forma menos simples. A balança de pagamentos regista dois tipos diferentes de operações: pagamentos relativos à compra e venda de bens e serviços, (exportações menos importações) que são registados na conta corrente e os pagamentos sobre activos entre ambos os diferentes países.
Evolução do índice do comércio externo da China (exportações, importações):
A conta corrente da China está ainda em situação de excedente , em grande parte devido ao facto de as suas exportações excederem as suas importações. A China também continua a atrair investimento directo em abundância de estrangeiros ávidos em comprar ou em construir empresas no continente. Mas ambos os influxos de moeda estrangeira foram superados por uma saída recorde de outros tipos de capital, no montante líquido de 110 mil milhões. A balança de pagamentos global deixou a China numa situação deficitária diminuindo as suas reservas internacionais de 11,8 mil milhões ( cerca de 0,4%).




