SETE NUVENS NEGRAS SOBRE O MUNDO, SOBRE A EUROPA NESTE FIM DE VERÃO, NESTE PRINCÍPIO DE OUTONO DE 2012.

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

 

(CONTINUAÇÃO)

Sexta nuvem

(6) O novo elemento que perturba a economia global – parte III

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6.3 Factores políticos e financeiros no IDE da China

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Como assinala Albert Edwards  do banco Société Génerale :

Se o período de excedentes comerciais na  China  é passado  isto  significa que o Banco Central da  China, (PBOC) já não poderá   criar yuans  como antes. Na verdade, o contrário será verdadeiro se o yuan enfraquece então o banco central efectivamente terá que comprar a sua própria moeda vendendo então como contrapartida  as suas reservas cambiais  para manter a sua taxa de câmbio.

No segundo trimestre, a China teve um défice de capital de 70 mil milhões de dólares  e um saldo deficitário de 12 mil milhões na balança  de pagamentos. Embora os números absolutos possam ser pequenos, isto marca uma mudança maciça para a recessão   através do banco  da China Popular e  não  das  engrenagens do Federal Reserve para a impressão de papel moeda , disse Edwards.

Geralmente, considera-se que a inflação é o resultado provável da criação de dinheiro sem restrições no nosso mundo da moeda fiduciária. No entanto, na realidade, os  principais jogadores globais não vivem  neste mundo. A maioria das autoridades permitem  que a quantidade de dinheiro nas  suas economias se possa  ajustar, se necessário, enquanto gerem as  suas taxas de câmbio em relação ao dólar dos Estados Unidos. Dois terços do crescimento da oferta de dinheiro global desde 2007 foi nestes países, com a China a contribuir só ela com 40-45%, enquanto que nos Estados Unidos o  crescimento da oferta de moeda  ronda os 15%.

  • A criação de moeda forçada está a terminar.

Uma súbita deterioração nas contas externas dos países emergentes produz automaticamente uma grande desaceleração no crescimento da moeda. O principal motor desta é inflação, o que prejudica a capacidade das nações emergentes em atrair e em reter o capital, reduzindo a necessidade de criar dinheiro. O excedente da conta de capital da China representa cerca de metade do seu excedente total, mas este ano a situação modificou-se para um défice da conta de capital e as suas reservas cambiais estão a começar a diminuir. Como os investidores nos países emergentes aprenderam muitas vezes antes, o capital pode mover-se muito rapidamente. Uma balança de pagamentos, ancorada materialmente num excedente de conta  corrente pode rapidamente tornar-se  no resultado ou vir a ser condicionada  pelo    défice da conta de capital. Estamos perto de um tal  ponto de inflexão, e se as autoridades dos países emergentes respondem, defendendo as  suas  taxas de câmbio,  dar-se-á uma diminuição dramática na criação de dinheiro .

  • O crescimento da oferta de moeda no mundo desenvolvido está a regredir

Este abrandamento  pode aparecer  enquanto os bancos centrais do  mundo desenvolvido ainda estão a lutar  para criar um crescimento robusto e sustentável e com uma ampla base monetária. O crescimento na massa monetária nos Estados Unidos diminuiu de 8%  em termos homólogos para 5%, enquanto  no Japão o seu crescimento tem sido pura e simplesmente nulo.  Ao nível europeu a massa monetária está a crescer em torno de 3,5% anualmente, mas esta taxa parece destinada a cair, uma vez que os empréstimos ao sector privado estão a diminuir. Se o próximo passo na Europa para o federalismo fiscal vacila, a região enfrentará uma catástrofe monetária. Aconteça o que acontecer, o resultado menos provável  será   acelerar  o crescimento do dinheiro.

A economia chinesa também tem surpreendido decisivamente pelo lado negativo neste ano com os dados de Agosto  recentemente publicados  a demonstrar mais uma descida na redução da sua evolução do PIB. As medidas de estímulo tem sido tardias e em grande parte ineficazes  até agora. Veja-se o gráfico abaixo com a evolução recente do PIB na China:

A China continental pode agora ter ultrapassado  1 milhão de  cidadãos ricos (qianwan fuweng) e com cada um deles terá mais de 10 milhões de  yuan (US $1.6 m), diz-nos a última edição do “Relatório Hurun”, que mantém uma bom registo dos movimentos e dos comportamentos dos grandes capitalistas. Mas o continente parece ter dificuldade em mantê-los. Segundo o relatório, publicado em 31 de Julho, mais de 16% dos ricos da China já emigraram, ou entregaram os  documentos para emigrarem  para outro país, enquanto 44% pretendem fazê-lo em breve. Mais de 85% estão a planear enviar os seus filhos para o exterior para ganharem uma outra forma que não a que é dada na China e um terço deles planeiam enviar ou já enviaram os seus próprios activos para o exterior.

Este mal-estar  pode ser visível num relatório bem mais obscuro, publicado  no mesmo dia, pela organismo da Administração chinesa encarregado do mercado cambial,  China’s State Administration of Foreign Exchange (SAFE).  Este mostra que a balança de pagamentos do China tinha registado um défice no segundo trimestre, o que acontecia  pela primeira vez desde 1998. Simplificando, foi mais o dinheiro que saiu da China do que aquele que entrou.

O mesmo fenómeno pode ser descrito de forma menos simples. A balança de pagamentos regista dois tipos diferentes de operações: pagamentos relativos à compra e venda de bens e serviços, (exportações menos importações) que são registados na conta corrente  e os pagamentos sobre activos entre ambos os diferentes países.

Evolução do índice do comércio externo da China (exportações, importações):

A conta  corrente da China está  ainda em situação de excedente , em grande parte devido ao facto de  as suas exportações excederem as suas importações. A China também continua a atrair investimento directo em abundância  de estrangeiros  ávidos em comprar ou em construir empresas no continente. Mas ambos os influxos de moeda estrangeira foram superados por uma saída recorde de outros tipos de capital, no montante líquido de 110 mil milhões. A balança de pagamentos global deixou a China numa situação deficitária diminuindo as suas reservas internacionais de 11,8 mil milhões ( cerca de  0,4%).

(continua)

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