A ECONOMIA GLOBAL ESTÁ SENTADA SOBRE UM VULCÃO. QUE IRÁ ACONTECER A SEGUIR?

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Parte I

Fabius Maximus  Junho de  2012

Em textos anteriores discutimos  sobre a nossa perigosa situação e como é que caímos nela.  Voltemos um  pouco atrás e perguntemos  porque é que estamos nestas condições.  Isto vai-nos dizer muito sobre para onde estamos a ir…

 From National Geographic Jan 2008

Síntese

  1. Estamos a viver por cima de um vulcão
  2. Olhemos para um vulcão
  3. Como é que uma erupção pode subir tão alto?
  4. O que é que podemos fazer para nos defendermos ?
  5. Para mais informação

(1)  Estamos a vive em cima de um vulcão

Porque é que as  pessoas escolhem viver sobre um  vulcão perigosamente em risco de explosão ?  As pessoas estão muito confortáveis para se quererem deslocar  e acham que  vale a pena viver assim. Muitas vezes, o solo é rico.  Alguns vulcões têm ricas jazidas de minerais  ou são bons para turismo. E elas, provavelmente, vão ter sorte, uma vez que as  grandes erupções ocorrem somente um vez durante várias  décadas ou até mesmo a não se verificar durante muitas gerações de seguida .

Porque é que  podemos escolher viver com uma estrutura económica grosseiramente instável?

  • Acredito que o meu governo pode prevenir ou atenuar um acidente.
  • Pessoalmente não entendo o risco, dadas as possibilidades de um acidente e da sua magnitude potencial.
  • Acreditamos que este sistema é moralmente a melhor opção ou a opção economicamente  optimal.
  • Eu acredito que posso  resistir a um acidente, ou até mesmo lucrar com isso ( os ricos fazem-no, como Potter em It’s a Wonderful Life

A grande depressão abalou a  fé da maioria das pessoas  quanto à forma ocidental de do sistema de mercado livre.  Mas não abalou a fé das  pessoas ricas que deles muito  beneficiaram, como foi o caso dos Kennedy.  Muitos deles consideram que os esforços do New Deal foram mais úteis para atenuar os efeitos mais censuráveis da depressão do que para combater a própria depressão.

Agora  muitos anos mais tarde enfrentamos uma crise semelhante.  Felizmente os líderes do mundo aprenderam o que representa o  perigo de permitir que se venha a  verificar um colapso deflacionário.  Face a um acontecimento que é agora mais ou menos da mesma Diante de um evento mais ou menos a mesma magnitude que a crise de 1929, estes dirigentes  agiram com ousadia e estabilizaram a economia global.  Mas querem  restabelecer a confiança nos nossos sistemas — mas em que a complacência impede-os  de se fazerem   reformas (como as que foram feitas  durante o New Deal).  Somente o horror da depressão  cria a vontade  de querer  ultrapassar os  entrincheirados e  poderosos interesses de dados grupos .

Os primeiros socorros foi bem-sucedidos, mas as doenças subjacentes não foram tratadas.  Assim, durante o quarto ano depois de se ter dado  o acidente, vemos que a varíola reapareceu.  As enormes fendas da estrutura são visíveis  através  da pintura que apressadamente foi aplicada.

 

(2)  Olhem para um vulcão

Enfrentamos agora um segundo acto relativamente ao que se viveu  na década de 1930.  Evitamos a longa depressão que levou  à Segunda Guerra Mundial (que terminou com ela, embora não tenha havido uma “cura” no sentido habitual da expressão).  Os mesmos argumentos surgem, sobre as mesmas teorias económicas. Nós, afinal, aprendemos tão pouco.

Na semana passada, descrevemos o invisível mas talvez decisivo grande alinhamento das Nações — como a UE, Japão, China e EUA a  enfrentarem  grandes mas diferentes desafios  simultaneamente.

Da mesma forma, temos hoje as principais nações do mundo simultaneamente perto  (1 ou 2 anos?) de se verificarem nelas grandes pontos de inflexão: zona euro, Reino Unido, Japão, EUA e China.  Em cada caso em grande parte devido à dinâmica interna, como também devido às falhas dos  seus actuais sistemas económicos internos a exigirem grandes reformas.   É a versão geopolítica do grande alinhamento planetário (que permitiu a NASA  enviar o Voyager e duas sondas para pesquisar o sistema solar).

 

Se todos tomaram boas decisões,   os nossos sucessos vão-se  reforçar uns aos outros.  Sinergia positiva.

E vice-versa.  Isto é o vulcão.

(continua)

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