“INSTRUÇÃO PARA TODOS, SEM DISCRIMINAÇÃO !” por clara castilho

Muito se tem falado da paquistanesa Malala Yousufzai, de 14 anos de idade e que foi  vítima de um atentado no seu país e levada para Inglaterra para ser tratada.
Terá sido vítima de um ataque taleban por ser uma defensora do “direito à educação de todas as meninas do Paquistão”.

Malala ficou famosa pelo seu trabalho em prol da educação feminina após publicar um blog na BBC Urdu (site da rede de comunicação britânica no Oriente Médio), em 2009, com textos nos quais descrevia sua vida após o decreto do Taleban que proibia as meninas de frequentarem a escola.

Após confirmar a autoria dos atentados, um porta-voz do Taleban afirmou que Malala tinha sido alvo por tentar difundir a cultura ocidental e, caso ela consiga sobreviver, eles tentariam de novo matá-la. O governo paquistanês afirma tudo fazer para capturar o atirador responsável pelo ataque.

Aos 11 anos, ela afirmava, ao New York Times, que a acompanhava para o documentário Class Dismissed. “Mas eles não podem parar-me, eu vou ter a minha educação.” Como reacção, já outras adolescentes disseram que não deixarão que o que aconteceu a Malala tenha sido em vão.

Malala pretendia prosseguir os seus estudos para vir a ser médica.

O mesmo objetivo de instrução tinham duas portuguesas que ousaram impôr-se numa época também opressora. Talvez os riscos que corriam não tivessem sido os mesmos de Malala. Mas foram o exemplo para outras mulheres e, sabemos, a sua vida não foi nada fácil.

Lembro a portuguesa Carolina Beatriz Ângelo a primeira mulher a votar em Portugal,  que ousou afrontar o regime, tendo conseguido  exercer o seu direito em 28 de Maio de 1911, depois de ter invocando a sua qualidade de chefe de família, uma vez que era viúva e mãe. E foi também a primeira médica a operar em hospitais portugueses.

Lembro Adelaide Cabete que, ao casar aos 18 anos era analfabeta e que, depois de incentivada pelo marido, aos 20 começou a estudar, aos 23 fez o exame de instrução primária e aos 29 anos entrou para a Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa. Em 1900, defendeu a tese “A protecção às mulheres grávidas pobres, como meio de promover o desenvolvimento físico de novas gerações”, tornando-se a terceira mulher a concluir medicina no país. Em 1901, o seu primeiro artigo, publicado no Jornal Elvense, tinha como título: “Instrua-se a mulher”.

Um bom lema este. “Instrua-se a mulher”. Mas, diria antes: “Instrução para todos, sem discriminação!”

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