Pentacórdio para Sábado

por Rui Oliveira

 

 

 

   No Sábado 27 de Outubro muitos serão atraídos (e bem) ao Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian para assistir às 18h ao segundo espectáculo da temporada do ciclo “Met Opera Live em HD” – a transmissão (em diferido) da ópera “Otello” de Giuseppe Verdi com a soprano Renée Fleming no papel central de Desdémona. Tendo cantado este papel pela 1ª vez em 1994 contracenando com Plácido Domingo (que ela considera o melhor Otello dos últimos 30 anos), vai agora fazê-lo face ao aqui estreante tenor Johan Botha (contudo já experimentado em Verdi desde o Radamés da “Aida” e o Don Carlo em 2006), enquanto Falk Struckmann será Iago e Michael Fabiano o Capitão Cassio.

   A ópera de Verdi (com libretto de Arrigo Boito) é uma produção de Elijah Moshinsky no Lincoln Center de Nova Iorque em que Semyon Bychkov será o maestro.

  Este é um excerto da representação já havida em 5 de Outubro passado :

 

   Para aqueles ávidos duma performance mais longa, podemos relembrar a referida récita com Plácido Domingo e Renée Fleming dirigidos por James Levine em 1994 :

 

 

 

   Também no Sábado 27 de Outubro quem se deslocar ao Centro Cultural de Belém terá um duplo motivo de interesse.

 

   Durante a tarde, desde as 15 às 19h, na Sala Almada Negreiros, decorrem as iniciativas finais do  ciclo «CCB no CCB – Camilo Castelo Branco : As paixões juvenis e o Amor de Perdição», a saber sucessivamente :

   Uma apresentação:  As biografias de Camilo por Maria Antónia Oliveira

   Um documentário:  Camilo e Outras Vozes, de Carlos Brandão Lucas

   Uma apresentação:  A Casa de Camilo por José Manuel de Oliveira

   Uma palestra:  O processo de adultério de Camilo Castelo Branco e Ana Plácido, por Laborinho Lúcio   

   Uma Conversa com dois leitores de Camilo Castelo Branco: José Pacheco Pereira e Manuel Carvalho da Silva

 

 

   À noite, às 21h no Pequeno Auditório do CCB, toca Miguel Borges Coelho,um dos pianistas portugueses mais activos e requeridos da actualidade, que habitualmente se divide entre recitais a solo, projectos com orquestras (como a Gulbenkian, a Sinfónica do Porto, a Metropolitana, a Sinfónica Portuguesa, ou a de Câmara de Praga) e também projectos de música de câmara com, entre outros, Michal Kanka, António Saiote, Marta Zabaleta e os quartetos Prazak, Talich e de Matosinhos.

   Neste recital, apresenta um percurso de estilos e ambientes variados, que vai do período clássico ao século XX, incluindo uma passagem pelo repertório português. Ouvir-se-á :

 

      Joseph Haydn  Sonata para piano, Hob.XVI:46

      Johannes Brahms  Klavierstücke, op. 118

      Leoš Janáček  Sonata 1.X.1905

      Fernando Lopes-Graça  Onze Glosas (excerto)

      Béla Bartók  Im Freien (Ao Ar Livre)

 

   Esta última peça tocou-a Borges Coelho no concerto de apresentação do 16º Festival Internacional de Música de Castelo Branco – “Primavera Musical 2010” a 21 de Abril no Museu Francisco Tavares Proença Júnior :

 

 

 

   Ainda a 27 de Outubro (Sábado), encerra oficialmente o Doclisboa’12 – Festival  Internacional de Cinema (embora no Domingo ainda haja a divulgação dos prémios e algumas projecções) com a exibição no Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, do filme “Cesare deve morire”(Caesar mist die)(2012) de Paolo e Vittorio Taviani.

   Sinopse: A representação de Júlio César de Shakespeare chega ao fim. Os actores abandonam o palco e regressam às suas celas. São todos presidiários da cadeia de segurança máxima de Rebibbia, em Roma … O documentário não insiste nos crimes cometidos, antes estabelece paralelos entre o drama clássico e o mundo de hoje.

   O vídeo abaixo reproduz o seu filme-anúncio, mas tem um link sucessivo que permite ver não só entrevistas dos realizadores como a reprodução integral (!) da película, para os mais curiosos e pacientes. É só deixar sucederem-se os vídeos …

 

 

   Outro filme que neste dia (Sábado 27) críticos aconselham é “San Zimei”(Three Sisters) (2012) do cineasta chinês Wang Bing, a história de três irmãs, vivendo sozinhas numa aldeia pequena nas altas montanhas da região de Yunan onde trabalham a terra e deambulam pelo povoado, que o pai regressado à aldeia pretende levar para a cidade. No fim acede a deixar a mais velha sob supervisão dum avô…  Exibe-se no Cinema Londres (Sala 1) às 15h30.

 

   Também assinalamos que na véspera (Sexta 26) – logo amanhã − o olhar de alguns críticos cinematográficos destaca a projecção também no Cinema Londres (Sala 2) às 21h15, do filme “People’s Park” (2012) de Libbie D. Cohn e J.P. Sniadecki, uma longa-metragem documental de um único plano que retrata a dinâmica vibrante, casais a valsar, sicómoros magestosos e zumbidos de cigarras de um parque citadino famoso em Chengdu, na província de Sichuan. Uma meditação sensorial sobre o tempo e espaço cinematográficos e a interacção pública na China . “Um dos momentos altos do Festival”, arrisca Francisco Ferreira (in Atual).

 

   Chama-se ainda a atenção que no convívio de encerramento às 23h30 no Palácio Galveias, entre outros convidados (Round Square Arkestra, My Dry Wet Mess, Auntie Flo), vai actuar o alaudista holandês Jozef van Wissem, também compositor minimalista que, partindo da experiência do alaúde na Renascença e no Barroco, tenta fazer a ponte entre as linguagens dos séculos XVII e XXI com uma mistura de estratégias improvisacionais que não comprometam o timbre e a ressonância do alaúde tradicional. A escutar (aqui em Copenhague em 2011) !

 

 

  

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quinta aqui )

 

 

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