EDITORIAL: ESTAMOS A PERDER A PRÓPRIA DEMOCRACIA

Esta afirmação que corresponde a uma verdade mais do que óbvia, não somos nós que a fazemos. Foi escrito pelo ex-presidente da República, Mário Soares, num artigo de opinião publicado anteontem.

Temos, por diversas vezes, chamado a atenção para o papel que Mário Soares desempenhou quando, na sequência do 25 de Abril de 1974, as esquerdas ameaçaram tomar o poder. Soares, acenando com o papão do terror estalinista, defendeu aquilo a que chamava «socialismo de rosto humano» e «socialismo em liberdade». Ora o socialismo de rosto humano e em liberdade, desembocou neste regime de alternância entre PS e PSD. De Soares a Sá-Carneiro, de Soares a Cavaco Silva, de Guterres a Durão Barroso e a Santana Lopes, de Sócrates a Passos Coelho, foi-se consolidando uma classe política composta por uma fauna microbiológica  de uma estirpe que a vacina democrática não prevê – chama-se «democracia», ou seja, o vírus tem o nome da cura, mas veicula a doença.

Mário Soares, nessa encruzilhada histórica, em que era preciso optar por uma via socializante ou escolher as veredas que conduziam ao tal socialismo de rosto humano, ou seja, à via neo-liberal, escolheu esta última. Ou seja o secretário-geral do Partido Socialista recusou o caminho para o socialismo, invocando o perigo da tomada do poder pelo PCP ou pela extrema-esquerda. E foi aqui o homem de confiança dos americanos. Portanto, Mário Soares perdeu, junto de muitos democratas a aura que lhe vinha da luta antifascista.

Naturalmente, apesar desta circunstância – Mário Soares é o principal responsável pelo que está a acontecer – a sua opinião continua a ter peso. E ao vir anteontem pedir a Cavaco Silva que demita Passos Coelho, caso este não tenha a «honradez» de se demitir, o presidente da República não pode continuar a olhar para o lado – a cumplicidade de Cavaco com este desastroso executivo começa a ser escandalosa.

As vozes que se erguem contra esta equipa de loucos e de corruptos que está a destruir um tecido económico que já de si era frágil, criando uma situação de calamidade, com desemprego, miséria, para uma grande maioria da população, vêm de todos os quadrantes, incluindo o partido do governo. Demitir o governo é urgente. Não se trata de uma reivindicação da esquerda – gera-se um consenso que percorre, não só  todo o espectro político, como . Os pobres, os trabalhadores, os pensionistas, não querem morrer de fome. Os ricos estão a ver o negócio mal parado – a destruição do aparelho produtivo, a criação de uma massa imensa de desempregados, a emigração de jovens qualificados (cujos cursos foram, na maioria, pagos por todos nós), não interessa a ninguém. Ou interessa?

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