UMA OUTRA NUVEM NEGRA, A OITAVA, PAIRA ENTRE WASHINGTON E PEQUIM E SOBRE TODO O MUNDO TAMBÉM

Selecção, tradução e nota de leitura por Júlio Marques Mota

 

  1. Nota de leitura sobre um texto de Dean Baker

 

Um bilhete-postal da América sobre algumas das dificuldades que se levantam à maior economia do mundo e uma sugestão bem clara de como a realidade económica deve ser lida, sob pena de cairmos na situação defendida pelos rufias do Partido republicano nos Estados Unidos ou dos partidários da austeridade na Europa. E de resto as semelhanças entre os dois grupos políticos são de tal modo imensas que não sei se todos eles não merecem o mesmo adjectivo que alguém no ano passado atribuiu aos falcões do Tea Party, Rufias, simplesmente isso, quer se trate do Tea Party, quer se trate dos governantes ingleses actuais, quer de trate dos portugueses ou espanhóis, franceses, italianos ou gregos, com alguma pequena excepção para Mário Monti. Uma lição de como aprender a interpretar os factos é o que nos deixa Dean Baker nos seus dois textos por nós escolhidos nesta colecção..

Dada a complexidade da situação em causa, dado que a marcha do mundo se vai decidir nos Estados Unidos no princípio de Novembro mesmo que seja apenas temporariamente, decidimos ir ver como seriam as nuvens negras deste Outono, vistas a partir dos Estados Unidos. Decidimos pegar neste texto de Dean Baker e, depois, decidimos ir mais longe, decidimos ir  perscrutar as nuvens deste Inferno e deste inverno do nosso descontentamento. Juntamos mais três artigos a este de Dean Baker, um outro dele e dois do New York Times, sobre o tema e com este conjunto de textos sentimos os ventos fortes que arrastam e nos trazem fortes nuvens negras. Olhámos para estas nuvens e e deparámo-nos com a sequência da nossa série já publicada no blog sobre as nuvens que ameaçam este Outono, deparámo-nos com uma oitava nuvem, deparámo-nos então sobre a questão do renmimbi, sobre a questão da política comercial agressiva feita pela China, sobre a política dos Estados Unidos, sobre o silêncio da OMC que nas peças aqui reunidas é uma sigla que uma só vez aparece escrita, quase sempre só sub-entendida, e não menos curiosamente deparámo-nos também com o problema da emissão de papel-moeda na China, a sua versão do quantitative easing dos Estados Unidos, da Inglaterra e do Japão. Decidimos ainda  indagar sobre a eventual política da mentira que é proposta por Mitt Romney, o candidato republicano à Presidência da República, decidimos indagar da política séria, segura, talvez um pouco cautelosa demais, de Barack Obama. E assim percebemos que a partir do trajecto entre Washington e Pequim, grandes nuvens negras podem estar a pairar sobre o mundo.

Esperemos pela vitória de Obama e esperamos que com esta vitória estas nuvens bem negras se dissipem e que talvez ele nos ajude a forçarmos esta Europa a ver claro onde há muito sol, onde há muita luz, face à escuridão que agora nos imposta . Basta deixar de querer ser cego porque esta cegueira tem cura, depende da vontade dos homens ou da coragem de muitos em serem capazes de mostrar que o rei vai nu, nesta sua fome que este tem de impor a miséria como um imperativo, como uma forma de estar, mas para os outros, é claro.

E que com a força de todos nós também que todas as nuvens negras se dissipem e que uma outra Europa venha ser rapidamente possível!

Júlio Marques Mota

Leave a Reply