MSE – nota sobre taxas de juro, produtividade e custo de mão de obra

Nota – ROE – Relatório do Orçamento do Estado para 2013

No ROE-p. 13 encontramos a desmistificação da primeira vitória, relacionada com as taxas de juros a curto prazo – ela resulta do programa do BCE de Transacções Monetárias Definitivas (TMD), que baixou as taxas de juros de curto prazo em toda zona do euro.

As duas outras conquistas têm um interesse particular, como veremos. Comecemos pela última.

O quadro abaixo, retirado do ROE, p. 17, mostra-nos a evolução da produtividade, do custo por unidade de trabalho produzido (CUTP), bem como do salário nominal.

 

Para já, o milagre da produtividade é explicada pelo próprio ROE, p. 17: «Esta evolução é explicada, essencialmente, pela redução do PIB menos acentuada que o emprego». Traduzindo: a variável produtividade (P) é dada pela relação entre o PIB e o número de trabalhadores (L), ou seja,

traduz o montante de mercadoria produzida pela força de trabalho activa. Assim, a produtividade é proporcional à produção expressa pelo PIB e inversamente proporcional ao número de trabalhadores envolvido nessa produção. Para explicar esse aumento da produtividade de 1,9% no primeiro trimestre de 2012, por exemplo, teríamos de recorrer a um pouco de álgebra simples. Lembremos que se usarmos o índice 0 para o 1o trimestre de 2011 (P0; PIB0 e L0) e índice 1 para o primeiro trimestre de 2012 (P1; PIB1 e L1), temos a taxa de variação homóloga da produtividade, do PIB e do número de trabalhadores do primeiro trimestre de 2012 em relação ao mesmo trimestre de 2011 (rP; rPIB e rL; respectivamente) dada por

 

De acordo com a relação (2),

Substituindo as relações (1), (3) e (4) na precedente, temos

Por outras palavras, a taxa de variação da produtividade é igual à taxa de variação do PIB menos a taxa de variação do emprego dividido pela taxa de variação do emprego mais um. Se a taxa de variação do PIB é negativa (o PIB diminuiu), a única maneira da taxa de produtividade ser positiva acontece quando a taxa do trabalho diminui mais que o PIB. Por exemplo, o PIB do 1º trimestre de 2012 caiu 2,3% em relação ao primeiro trimestre de 2011 e o emprego caiu 4,2% (que é o mesmo que dizer que o desemprego aumentou).

 

ou seja, 2% (este resultado difere dos 1,9% apresentados pelo Governo provavelmente porque não está corrigido da sazonalidade ou devido às aproximações com que as taxas de variação do PIB ou da força de trabalho são apresentadas).

Todas estas contas mostram como aumentar a produtividade destruindo a produção: basta destruir mais emprego ainda.

A segunda variável, ou seja, o CUTP é definido como o gasto com a mão-de-obra, sobretudo salários brutos e Taxa Social Única (TSU) dividido pela produtividade. Nesse caso, pretende-se que essa variável caia (variação homologa negativa). Na mesma linha de raciocínio anteriormente exposta a CUTP vai cair com o aumento da produtividade e a queda dos salários. Se observarmos na tabela acima a evolução dos salários nominais, temos uma ideia do milagre alcançado pelo governo. Do ponto de vista da patronal procura-se nesses números mágicos (produtividade e CUTP) aqueles valores que maximizem o volume produzido com menos trabalhadores e a um custo mais baixo por unidade.

Renato Guedes

(Este texto é um extracto daquele que se encontra em: http://cadpp.org/sites/default/files/oe1_0.pdf.)

Próximo plenário do MSE

Data: Quinta, 8 de Novembro de 2012, às 18:30

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