RECUPERAR FORÇAS COM FALSTAFF DE VERDI por clara castilho

Apetece-me esquecer que lá fora está a chover, que há alerta amarelo  e que há plantações que vão ficar estragadas.

Apetece-me esquecer que Alberto João Jardim, apesar de por pouca margem, voltou a ganhar na Madeira.

Apetece-me esquecer que tenho que refazer a forma como equilibro o orçamento mensal e como passarei a viver com menos dinheiro e com tudo mais caro.

Apetece-me esquecer a angústia de ter sabido que a C., apesar de todos os esforços, acabou mesmo por ser violada às mãos do pai.

Com este estado de  espírito D. cuidou de tentar desanuviar-me e propôs-me vermos a ópera Falstaff de Verdi. Boa ideia, por sinal.

Falstaff é um personagem criado por Shakespeare e presente em várias de suas peças. É conhecido por ser um notório fanfarrão e boémio. Verdi, poucos meses antes de completar 80 anos, a partir da comédia “As Alegres comadres de Windsor” e, com libreto de Arrigo Boito,  fez a ópera com o nome do personagem principal. Podemos escutar solos imponentes, com foco na actuação em grupo.

FALSTAFF é um homem sem escrúpulos que usa a mentira para zombar e se aproveitar de todos ao seu redor. Depois de tentar conquistar mulheres casadas, invadir e roubar a casa de um homem e demitir injustamente seus criados, Falstaff encontra-se na situação de ser alvo de todos aqueles que foram prejudicados por ele, sofrendo vexames atrás uns dos outros. O amor – não o dele! – vence e todos contribuem para  um final em que quem “Ri melhor é quem ri por último”.

Nesta obra, pode-se analisar a influência de Wagner na obra de Verdi. Não tem abertura, recitativos, árias, coros, sempre bem divididos. Podemos é ver um contínuo de acções que se sucedem, não havendo recitativos, sem espaço para o virtuosismo dos cantores. O canto e a música está a serviço do texto. Por tudo isso essa ópera de 1893, a última de Verdi, é considerada uma obra-prima.

Neste DVD a ópera é apresentada como um filme, com realização de Gotz Friedrich e sendo dirigida por Georg Solti. Falstaff é interpretado por Gabriel Bacquier  num magnifico trabalho.

Pois foi remédio santo! Foram duas horas divertidíssimas que me fizeram recuperar forças e pensar que amanhã é um novo dia e que vou poder enfrentar o que acontecer com um sorriso, tentando analisar o devido papel de cada coisa na vida.

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