“Retrato da escola portuguesa: professores insatisfeitos, pais preocupados e alunos que acham as aulas uma maçada. Não só da escola portuguesa, mas da generalidade das escolas dos países ocidentais. Devido à forma de organização do trabalho. A estrutura do ensino simultâneo – todos a aprender a mesma coisa ao mesmo tempo – vem do séc, XVII e ainda perdura apesar de se saber desde os anos vinte do séc. XX que é um modelo esgotado. O professor dá uma lição, depois faz as perguntas, escolhe um aluno para responder e avalia. O trabalho substancial é feito em casa. O principal problema da escola está neste modelo de não comunicação em que o professor usa mais de dois terços do tempo da aula para falar sem que os alunos participem ou estejam envolvidos. Assim não há diálogo. Poderá alguma criança ou jovem suportar isso?
Hoje, graças à investigação, sabemos que se aprende dialogando, falando e escrevendo o conhecimento científico e cultural que se aprende na escola. Devemos contar com a inteligência, os saberes e a colaboração dos alunos e os currículos não devem ser um segredo, devem ser eles a geri-los em conjunto com os professores.
(..) Nenhuma outra organização humana resistiu a tanta história e a tanta mudança como a escola, que funciona do mesmo modo há séculos.
(..) Esta ideia de transformar a escola, que deve ser um instrumento vivo de cultura, numa empresa, é uma ilusão perigosa.
(..) A escola não perde tempo a fazer aprender. Cada vez mais, o que se sugere aos professores é que debitem a matéria, que vigiem e que penalizem os alunos que não aprendem por si ou com as famílias procedendo à sua retenção”
“(…) As crianças e jovens que têm dificuldades vão continuar a serem excluídos. Da escola e da sociedade… essas crianças vão continuar a ser tratadas como portugueses de segunda. (…) Os professores foram ensinados de determinada maneira e tendem a replicar o modelo que conhecem.


