Pentacórdio para Sexta 16 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

   Vindo do Teatro São João no Porto, estreia na Sexta 16 de Novembro na Sala Garrett do Teatro Nacional Dª Maria II, às 21h, “Missa dos Quilombos”, um espectáculo integrado no “Ano do Brasil em Portugal – Mostra de Teatro do Brasil”, que ali permanece até Domingo 18 às 16h.

   Composta em 1981 por Milton Nascimento (foto), Pedro Tierra e Dom Pedro Casaldáliga, “Missa dos Quilombos”, da Companhia Ensaio Aberto, aborda a exclusão social na sociedade moderna. O espectáculo segue a estrutura padrão de uma missa e inclui, entre outras etapas, o “Rito Penitencial”, “Ofertório”, “Rito da Paz” e uma “Ladainha”. Nas 11 músicas compostas por Milton Nascimento, onde há vários trechos recitados, o vocabulário cristão alia-se a expressões africanas, fundindo de sons, danças e cores.

   O director Luiz Fernando Lobo esclarece : “Parece que vamos falar só dos velhos quilombos, dos tempos antigos da escravidão mas, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho, nunca houve tanto trabalho escravo no mundo como hoje”.

   Compõem o elenco : Aurora Dias, Chamon, Cláudio Bastos, Cristianne de Souza, Carlos Negreiros, Flávia dos Prazeres, Fernando Muzzi, Gilberto Miranda, Ana Luiza Leite, Joana Marinho, Juliana Rubim, Ladston do Nascimento, Leandro Vieira, Letícia Soares, Luiza Moraes, Manoel Evangelista, Nelson Reis, Rafael de Castro, Valéria Monã e Tuca Moraes

   O acompanhamento musical está a cargo de Túlio Mourão teclados, Jorge Oscar baixo acústico, Jairo de Lara sopros, Renato Saldanha  violão e guitarra e Régis Gonçalves, Ronaldo Silva e Rodrigo Pacato percussão.

   Este é o registo do “Ofertório” pela Companhia Ensaio Aberto :

 

 

   Quanto ao “Lisbon & Estoril Film Festival”, lamentamos não ter referido ontem (Terça 13 de Novembro) a performance” Le Navire Night” que a actriz francesa Fanny Ardant e a violoncelista Sonia Wieder-Atherton trouxeram ao Centro Cultural de Belém.

   Os textos foram adaptados do filme e do livro homónimo da escritora e realizadora francesa Marguerite Duras, cuja voz própria bem como a do realizador Benoit Jacquot serão, na performance, a de Fanny Ardant e o violoncelo de Atherton.

   Ora nesta Sexta-feira 16 de Novembro, há na Sala Dr. Félix Ribeiro da Cinemateca Nacional, às 21h30, a exibição de “Le Navire Night” (França, 1978) de Marguerite Duras (foto à direita), com Bulle Ogier, Dominique Sanda, Matthieu Carrière nos principais papéis, além das vozes de Marguerite Duras e de Benoît Jacquot, em sessão especial apresentada por Fanny Ardant (à esquerda).

   São imagens de Paris ao crepúsculo. Sobre elas, uma voz conta-nos a história de um amor impossível nascido no anonimato das linhas telefónicas. Uma segunda narrativa relata a desaparição de uma escultura de um museu de Atenas. Um filme onde a voz off assume um papel fundamental.

   Tentámos reproduzir um excerto do filme :

Duras | Navire night por borddeleau

 

 

 

   Ainda no “Lisbon & Estoril Film Festival”  exibem-se em Lisboa no Cinema Monumental na Selecção Oficial em Competição na Sala 1 às 19h “Low Tide/ Bassa Marea” (EUA, Itália, Bélgica) de Roberto Minervini e às 22h “Rengaine” (França) de Rachid Djaïdani.

   Serão projectados Fora de Competição na Sala 4 às 21h30 “Bella Addormentata” (Itália, França) de Marco Bellocchio e às 24h “The We and the I” (EUA) de Michel Gondry.

   Sugerimos, de entre os em competição, “Rengaine” com Slimane Dazi, Sabrina Hamida, Stéphane Soo Mongo, Hocine Ben, Ammar Boudjelal, onde “Na cidade de Paris, nos dias de hoje, um jovem cristão, apaixona-se por uma muçulmana, proveniente de uma família de imigrantes do norte de África. Contudo, os irmãos dela são totalmente contra o romance com um rapaz negro e vão fazer de tudo para impedir o casamento dos dois”.

   Eis o seu filme-anúncio :

 

 

 

 

   Entretanto no Centro Cultural de Belém aproxima-se do seu termo o Misty Fest, actuando nesta Sexta-feira 16 de Novembro no seu Pequeno Auditório, às 21h, a cantora e conhecida acordeonista Celina da Piedade que virá acompanhada por Samuel Úria guitarra, voz, Valter Rolo  piano, composição, Joana Bagulho cravo, Miguel Nogueira  guitarra, Eddy Slap baixo eléctrico, Ana Isabel Dias harpa, Paulo Pereira  flauta transversal, Tania Lopes percussão e Alex Gaspar metalofone, serrote musical.

   “Algures entre as formas e cores tradicionais, com viagens pelas memórias das danças portuguesas e um sentir mais moderno e universalista, Celina desenha uma música cheia de alma e de personalidade, que, em palco, ganha com a sua formidável presença” – assim é apresentada. O leitor ajuizará indo ao CCB ou escutando este “Disse-te Adeus” do seu álbum “Em Casa” (2012), aqui com Joana Bagulho no cravo :

 

 

 

   Nesta Sexta-feira 16 de Novembro há novo Concerto Antena 2  no Institut Français de Portugal, às 19h, um recital dado por Daniela Ignazzitto (piano) e Catherine Strynckx (violoncelo) que irão interpretar de Ludwig van Beethoven  Sonata Op.110, de Fréderic Chopin  Barcarola Op. 60 , de Franz Schubert  Sonata Arpeggione D 821 e de Alberto Ginastera  Pampeana Nº 2 –  Rapsódia p/ violoncelo e piano.

   A pianista Daniela Ignazzitto, italiana de nascimento, obteve a classificação máxima cum laude  no Conservatório “V Bellini”. Vive em Portugal onde fez o seu aperfeiçoamanto musical com Jorge Moyano e Olga Pratts e é actualmente professora de piano na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Academia Amadores de Música de Lisboa.

    A violoncelista francesa Catherine Strynckx obteve os 1º Prémios nos Concursos Internacionais de Caltanisseta e  Trapani e trabalhou violoncelo barroco sob a direcção de R. Goebel, T. Koopmann, C. Coin e Fabio Biondi. É hoje professora de piano na Escola de Música do Conservatório Nacional e na Academia Amadores de Música de Lisboa.

   Ambas pertenceram (com Nuno Silva clarinete) ao “Trio A Piacere” cuja peça in memoriam de Constança Capdeville (2012) de Sérgio Azevedo lhes foi destinada e que abaixo mostramos.

(quem queira ter acesso a um longo concerto deste grupo dado para a Antena 2, veja-o aqui : http://www.rtp.pt/antena2/?t=FPC–24-fevereiro-19h00.rtp&article=1697&visual=2&layout=5&tm=2 )

   E por falarmos em Constança Capdeville, notável compositora, intérprete, pedagoga e musicóloga, lembramos que nesta Sexta-feira 16 de Novembro, no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal o Grupo de Música Contemporânea de Lisboa (GMCL), fundado por Jorge Peixinho, realiza uma jornada desdobrada em dois eventos para ele muito significativos.

   Às 18h30 haverá o lançamento do seu novo CD duplo “Caminhos de Orfeu”, composto por obras encomendadas ao longo da última década aos compositores Clotilde Rosa, João Madureira, Ivan Moody, Carlos Caires, João Pedro Oliveira, Fernando Lapa, Christopher Bochmann, Eurico Carrapatoso e Carlos Marecos.

   Às 23h30, no concerto de homenagem a Constança Capdeville “Momentos” serão estreadas duas obras : Keep Smiling, de António Sousa Dias e, em primeira audição absoluta, Tibidabo 89 – Museu de Autómatos, de Constança Capdeville. Sob a direcção musical de João Paulo Santos, os intérpretes serão Susana Teixeira mezzo-soprano, João Pereira Coutinho flauta, Luís Gomes clarinete, Fátima Pinto percussão, Ana Castanhito harpa, Paulo Amorim guitarra, Francisco Monteiro piano, José Sá Machado violino, Ricardo Mateus violeta e Jorge Sá Machado violoncelo.

   O GMCL interpreta aqui, sob a direcção de Jorge Peixinho, “Momento I” de Constança Capdeville :

    

   

   O saxofonista tenor, clarinetista baixo e flautista Nobuyasu Furuya volta à Galeria Zé dos Bois na Sexta 16 de Novembro, às 22h, para apresentar o seu novo álbum “The Major” em que continua a apostar na companhia de músicos portugueses, constituindo aqui o Nobuyasu Furuya Quintet. São eles neste, tal como em parte do anterior “Stunde Null”, os três elementos do Red Trio, designadamente Rodrigo Pinheiro (piano), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria), mais o trombonista Eduardo Lála.

   Este disco será, diz quem o ouviu, aquele que mais abraça a tradição original do free jazz, ou seja aqui Furuya percorre mais os caminhos de Archie Shepp do que os de Peter Brotzmann, a sua outra referência maior.

   Reproduzimos um registo anterior, também na ZDB, de Furuya com os membros do Red Trio :

   Por último, no Ondajazz, nesta Sexta-feira 16 de Novembro, às 22h30 (como habitual), actua o Trio Luiz Avellar  composto por Luiz Avellar piano, Bernardo Moreira  contrabaixo e Alexandre Frazão bateria, a par da voz da cantora Paula Olveira.

   Luiz Avellar, pianista e compositor amplamente reconhecido nos palcos internacionais, vem aqui apresentar em Trio as suas composições já gravadas em piano solo no disco “Contrastes” editado em Portugal.

   “A abordagem musical deste três músicos caracteriza-se por uma grande firmeza, com improvisos livres e surpreendentes, abrangendo toda a capacidade do grupo com uma concentração e um dinamismo técnico sem cliches jazzisticos e sem repetições interpretativas… Isso em conjunto a voz de Paula Oliveira com o seu poder de concentração, técnica aprimorada e uma sensibilidade musical a flôr da pele” – daí o Ondajazz denominar o concerto “música e sensibilidade”.

   Retirámos um tema do álbum Contrastes :

 

 

   E terminemos com uma colaboração de dois destes músicos, Paula Oliveira e Bernardo Moreira, aqui no tema de Zeca Afonso “Índios da Meia Praia” :

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Quarta aqui )

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply