Pentacórdio para Sábado 17 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

   No Sábado 17 de Novembro o Concerto Sinfónico na Sala Principal do Teatro Nacional de São Carlos, às 21h, tem a Orquestra Sinfónica Portuguesa e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos sob a  direcção musical de Nicolas Chalvin a tocar de Gabriel Fauré  Requiem e de Hector Berlioz  Sinfonia fantástica.

   Os cantores solistas serão Mariana Castello Branco (soprano) e Luís Rodrigues  (barítono). 

   Não havendo registo nem destes cantores nem desta formação executando tais peças, fiquemos com os também portugueses Coro Sinfónico Lisboa Cantat e Orquestra Metropolitana de Lisboa (direcção musical de Robertas Servenikas) e Ana Quintans soprano e Armando Possante barítono, além de Hakan Rosengren clarinete no 1º Andamento do mesmo Requiem, op. 48 de Gabriel Fauré :

 

 

 

 

   Neste mesmo Sábado 17 de Novembro ocorrem no Centro Cultural de Belém actividades bem diversas.

            

   Às 21h no seu Pequeno Auditório, o ensemble em residência DSCH – Schostakovich Ensemble (com Filipe Pinto-Ribeiro no piano e direcção artística) comemora os 150 anos sobre o nascimento de Claude Debussy  apresentando um programa dedicado ao grande compositor francês. Nele contará com o regresso ao CCB de dois intérpretes de excelência da música francesa: o violinista francês Philippe Graffin e o violoncelista americano Gary Hoffman.    

   Constarão do programa (abrindo com o Andante expressivo, a sua primeira obra de música de câmara composta aos 18 anos) :

 

         Claude Debussy  Andante espressivo, do Trio com piano

         Claude Debussy   Sonata para violoncelo e piano

         Maurice Ravel  Sonata para violino e violoncelo*

         Claude Debussy  Beau Soir, Il pleure dans mon coeur, Minstrels

         Maurice Ravel  Trio com piano

                                     *composta «À memória de Claude Debussy»

 

   Encontrámos uma gravação da primeira peça de Debussy do concerto, o Andante espressivo, por Gary Hoffman, acompanhado por Julie Rosenfeld (violino) e André Previn (piano) :

 

   Mostramo-vos ainda uma interpretação interessante daquela Sonata para violino e violoncelo  (homenagem de Ravel a Debussy) por Carlos Benito de la Gala (violino) e Alberto Gorrochategui (violoncelo). Este é o 1º andamento Allegro; para os restantes basta o leitor clicar em : 2º and. Muito vivo http://youtu.be/yuCXyAOTYic  , 3º and. Lento  http://youtu.be/8ckae-cehA4  e 4º and.Vivo  http://youtu.be/F4RzC_djT-4 .

 

 

 

   Entretanto noutra zona do CCB, no Grande Auditório, encerra às 21h o Misty Fest de 2012 com a actuação (absolutamente imperdível para os amantes do country/blues) do grupo canadiano Cowboy Junkies que trazem a Portugal o volume quatro da sua “Nomad Series”, “The Wilderness”.

   Ouvir-se-ão certamente, pela extraordinária voz de Margo Timmins, clássicos destes mais de 25 anos de carreira como The Trinity Session ou The Caution Horses, pois ao longo do seu veterano percurso, o grupo dos irmãos Timmins já lançou mais de duas dezenas de títulos, entre registos de originais e documentos dos seus concertos.

   Ouçam “Sweet Jane” do célebre álbum The Trinity Session :

 

   Ou este Blue Moon Revisited (num tributo a Elvis Presley que o cantou em 1956) clicando em :

http://www.youtube.com/watch?v=vJ6EGsZdxpE&feature=related

 

 

 

 

   Ainda noutra, a Sala Almada Negreiros do Centro Cultural de Belém acolhe entre Sábado 17 de Novembro e Domingo 18 o Simpósio Internacional – Arte vs Cultura e Indústrias Culturais de entrada livre.

   Citamos: Nos tempos que correm … as palavras (e os conceitos) “cultura” e “indústrias culturais” são com frequência invocados, e mesmo olhados como uma da saídas possíveis para a crise económica que vivemos … importa-nos discutir de que falamos quando falamos de arte, de cultura, de indústrias culturais. Estará, hoje em dia, a arte cada vez mais submetida à cultura e ao negócio? Estarão as indústrias culturais a “formatar” os artistas (levando-os, entre outras coisas, a não correr riscos)? Estaremos reféns de uma “mentalidade da mediania que, não obstante as aparências, é refractária à criação” (João Barrento, 2011).

   É este o ponto de partida para a reflexão que é proposto levar a cabo neste Simpósio, para a qual são convidados artistas, cineastas, escritores, pensadores e cientistas.

   Ouvir-se-á pois reflectir nas sucessivas sessões :

   − Das 11 às 13h – João Barrento, ensaísta, Pascal Quignard, escritor, Hanif Kureishi, escritor e argumentista, Bernardo Pinto de Almeida, escritor e ensaísta e Emmanuèlle Bernheim, escritora e argumentista.

   − Das 15 às 17h – Alfred Brendel, pianista (foto), Alberto Ruiz de Samaniego, filósofo e professor, Bruno Wollheim, realizador, Maria Filomena Molder, filósofa e professora, Rui Chafes, artista e António Guerreiro, escritor e ensaísta.

   − Das 11 às 13h de Domingo, 18 de Novembro – Alexandre Melo, crítico e ensaísta, Bella Freud, estilista, João Mário Grilo, realizador, Manuel Graça Dias, arquitecto e  Sean Kelly, galerista nova-iorquino.

 

 

 

   No campo do debate a UniPop (Universidade Popular) organiza neste Sábado 17 de Novembro na Casa da Achada (na Rua da Achada, nºs 11 r/c e 11B, na Mouraria, Lisboa), diversas “conversas” sendo as potencialmente mais interessantes :  

   A das 15h às 16h45: Conversa sobre Memória e Historiografia, em torno do livro “O passado, modos de usar”, de Enzo Traverso (Edições Unipop, 2012) com Sérgio Campos Matos, Ângela Cardoso, Mariana Pinto dos Santos e moderação de José Neves.

   E a das 17h às 18h45: Conversa sobre Globalização, Migrações e Estado-nação, em torno dos livros “Direito de fuga”, de Sandro Mezzadra (Edições Unipop, 2012), e “Quem canta o Estado-nação”, de Judith Butler e Gayatri Spivak (Edições Unipop, 2012) com Nuno Dias, Manuela Ribeiro Sanches, Nuno Nabais e moderação de Bruno Peixe Dias.

   Esta última é assim introduzida : “Quem canta o Estado-nação? resulta de um singular encontro entre duas das mais influentes teóricas da última década, que entre si debatem o passado, o presente e o futuro do Estado num tempo de globalização. Reflectindo sobre a pluralidade cultural no interior dos Estados e a maior porosidade das suas fronteiras, Butler e Spivak interpelam o vínculo natural entre Estado e nação, num debate que atravessa temas como a situação da Palestina, as teorias do Estado de filósofos do Iluminismo, os contributos de pensadores como Hannah Arendt ou Giorgio Agamben, o exercício do poder no mundo actual, o direito a ter direitos ou ainda os significados de cantar o hino nacional norte-americano em espanhol”.

 

 

 

   No Ondajazz, como habitualmente às 22h30, haverá no Sábado 17 de Novembro o que chamaram um Mano a Mano, um duelo entre André e Bruno Santos num despique guitarrístico, acompanhados pelos lendários “guerreiros” Carlos Barretto (contrabaixo) e André Sousa Machado (bateria), que testemunharão em palco qual deles o mais ágil e mais forte. até que só um fique de pé…  O repertório passa pelos clássicos dos saloons norte-americanos até ao que se ouve nas “arenas” europeias de hoje − assim se anuncia.

 

 

 

   Por fim, concluamos com os filmes que neste Sábado 17 de Novembro estão em competição no 7º Lisbon & Estoril Film Festival  nos cinemas da capital, lembrando primeiro, contudo, os da Selecção Oficial Fora de Competição :

   Na Sala 1 do Cinema Monumental, às 19h, “West of Memphis” (Nova Zelândia) de Amy Berg e às 22h “In Another Country” (Coreia do Sul) de Sang Soo-Hong e ainda na Sala 4, às 22h “Vous n’avez encore rien vu” (França,Alemanha) de Alain Resnais.

   O primeiro faz uma análise da investigação policial do assassinato de três crianças de oito anos, em 1993, revelando novas provas sobre a prisão e condenação de três homens inocentes. Damien Echols, Jason Baldwin e Jessie Misskelley eram adolescentes na altura e passaram 18 anos no corredor da morte por um crime que não cometeram.

   Eis o respectivo trailer :

 

 

   O segundo, o coreano “In Another Country”, com Isabelle Huppert, Kwon Hye Hyo, Jung Yu Mi, Moon So-ri, Moon Sung Keun, Yu Jun-Sang, Youn Yuh Jung, descreve como “ Uma mãe e uma filha desesperam com dívidas acumuladas e mudam-se de Seul para uma praia da costa coreana. A jovem começa então a escrever o argumento de uma curta-metragem. Na história, Anne é uma mulher francesa que visita um amigo realizador e conhece um salva-vidas que tenta conquistá-la. Duas francesas também chamadas Anne chegam ao local e lidam com os mesmos personagens”.

 

   Este último, baseado na obra Eurydice e Cher Antoine ou l’Amour raté de Jean Anouilh, relata a história de Antoine d’Anthac, célebre dramaturgo, o qual convoca além-túmulo todos os amigos que interpretaram a sua peça de teatro “Eurydice”. Os actores têm por missão ver uma gravação da obra por parte da jovem “Compagnie de la Colombe”. Será que o amor, a vida, a morte e o amor depois da morte ainda têm lugar num palco de teatro? São eles que devem decidir.

   Presentes no filme estão Mathieu Amalric, Sabine Azéma, Pierre Arditi, Anne Consigny, Lambert Wilson, Michel Piccoli, Anne Consigny, Anny Duperey, entre outros.

 

   Quanto aos filmes realmente em competição constantes da Selecção Oficial há apenas a exibir na Sala 1 do mesmo Cinema Monumental, às 17h, “Avalon” (Suécia) de Axel Petersén com Johannes Brost, Peter Carlberg, Léonore Ekstrand, Charlotte Wandt, August Wittgenstein.

   A história : “O promotor de clubes nocturnos Janne acaba de cumprir uma leve pena de prisão domiciliária e está entusiasmado com a abertura de uma nova casa: a “Avalon”. Ele é constantemente acompanhado pela irmã recém-divorciada que aproveita a reputação do irmão na cidade para se manter entretida. Os sonhos de Janne são contudo ameaçados com o surgimento de uma catástrofe…”. Este é o filme-anúncio :

 

 

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )

 

 

 

 

1 Comment

Leave a Reply