EDITORIAL: A PLATAFORMA BLOGGER BLOQUEOU O BLOGUE DOS PRECÁRIOS INFLEXÍVEIS

 

A pedido, por solicitação, requerimento ou queixa de uma empresa privada, outra empresa bloqueou um blogue de um terceiro privado. Esta última terá publicado denúncias contra a primeira, resultantes de depoimentos de um trabalhador desta, que referiam situações de trabalho ilegal e de fuga ao fisco. E, em sequência, a primeira, em vez de recorrer aos tribunais, resolveu pressionar a segunda, a qual então resolveu bloquear o blogue da terceira.

A primeira e a segunda são duas empresas poderosas, com grande expansão internacional.  O terceiro privado é uma associação que tem como objectivo defender trabalhadores em situação precária. Estão portanto em lados opostos, em questões de grande gravidade e actualidade.

Este tipo de situações tem antecedentes, com esta associação e com outras. O problema deveria pôr-se assim: se alguém publica informações falsas, denúncias caluniosas ou insultos deverá ser levado a tribunal para as sanções devidas. Agora forçar alguém a deixar de dar informações antes de se averiguar se são verdadeiras ou falsas, nestas circunstâncias, é um acto de força puro e simples. É como forçar um jornal a deixar informações que chateiem. É um bocado como o caso Relvas.

A informação na internet tem funcionado como alternativa à comunicação social clássica, com alguma eficácia. Estaremos perante as primeiras investidas para a silenciar ou, pelo menos para a controlar? Seria um caso Wikileaks, ainda em maior dimensão.

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