JOSÉ DIAS COELHO – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

 Ó artista plástico, ó vizinho, ó Zé Dias Coelho: em 1948, quando o Prof. Bento de Jesus Caraça morreu com um ataque cardíaco, bem te vi, com outros militantes do MUD, a organizar o imenso cortejo fúnebre rumo ao Cemitério dos Prazeres. O meu pai, na varanda do 2.º andar, filmava tudo. Fez depois uma cópia do filme para a Cândida, a viúva do Caraça. E outra para ti. Não, não, o meu pai não era comunista, era apenas um republicano, um democrata. Tanto bastava para que muito o considerasses porque, embora fosses do PCP, o teu objetivo primeiro era o antifascismo.  

No Café Chiado rias a abraçavas o Mário Henrique Leiria que não parava de fazer surrealistas e divertidas provocações. Até com monárquicos liberais tu convivias. Um dia apresentei-te um colega meu que era forcado amador em Vila Franca de Xira. Abriste os braços, desafiaste:  

– Avança, a ver se consigo fazer-te uma pega de caras…  

Gargalhadas, amizade, convivência. A tua boa disposição levou alguns camaradas teus a rosnar que estavas a desviar-te para a direita. Porém outros irão aclamar-te como o Che Guevara Português; e eu direi: bravo, é assim mesmo, coice no sectarismo, viva a intuição!…


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