EDITORIAL – Jogos de guerra

Jogos de futebol na PlayStation, evitariam erros de arbitragem, deslocações das equipas, lesões, poupariam milhões, acabariam com um negócio obscuro onde campeia a corrupção. Do mesmo modo, as batalhas travadas numa consola de vídeo game, poupariam vidas e evitariam destruição e  sofrimento.

A operação militar israelita, com o nome de código “Pilar de Defesa”, prossegue e após três dias de fogo cruzado, a ofensiva hebraica na faixa de Gaza, segundo tudo o indica, vai mesmo intensificar-se – Israel chamou às fileiras dezasseis mil reservistas – os raides aéreos poderão ser seguidos de uma ofensiva terrestre. Ontem, Hesham Qandil,  primeiro-ministro egípcio, visitou Gaza. Segundo a interepretação dada ontem pela BBC, a visita de Qandil significa um gesto de apoio ao Governo do Hamas e talvez um recado para Telavive – a cumplicidade de Hosni Mubarak com Israel, terminou. No terreno, na madrugada de sexta-feira, 11 rockets disparados de Gaza, com dois mísseis a atingir a área metropolitana de Telavive, sem causar grandes danos, tiveram como resposta 150 alvos atingidos pela aviação israelita. A estimativa mais recente dá conta de 18 palestinianos mortos, entre os quais cinco crianças, e três soldados israelitas mortos desde o início da operação  lançada por Israel na quarta-feira.

O dado novo é que, a par da guerra no terreno, causando mortes e sofrimento ao martirizado povo palestiniano, abre-se uma frente nova – a guerra nas redes sociais. Usando a sua conta no Twitter, o Presidente egípcio ameaçou Israel –  “Se vir a pátria em perigo, não hesitarei em dar passos pouco habituais”, e Mohamed Morsi, acrescentou “temos o poder para acabar com a agressividade tal como acabámos com a exploração”. Além da guerra no terreno, a luta estendeu-se às redes sociais.  Os políticos também têm recorrido ao Twitter. E o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, terá cometido um erro ao agradecer a Barack Obama o apoio inequívoco a Israel. O facto de apagar esse tweet, tem dado lugar a especulações. A guerra numa consola de vídeo podia também ser corrigida. Porém, na faixa de Gaza os israelitas continuam a cobrar o débito que entendem que a humanidade para com eles contraiu quando milhões de judeus foram exterminados por Hitler. Quantos palestinianos terão ainda de ser sacrificados para a conta ficar saldada? Os sionistas deviam compreender que os seis milhões de judeus não foram assassinados pela humanidade no seu conjunto, mas por um bando de tarados que beneficiaram de cumplicidades nas altas esferas do poder político e económico. Deviam compreender que o comportamento do Estado de Israel em nada contribui para que o ódio ant-judaico se desvaneça.

Os tarados estão agora em Telavive. Mas deviam lembrar-se de que os tarados também se abatem.  Lembrem-se de Hitler e de Nuremberga.

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