“ A vitória de Obama e o Brasil“
A conquista de um segundo mandato presidencial por parte de Barack Obamafoi saudada pela grande maioria das nações como um evento prometedor de paz maior para o mundo e de desenvolvimento dos direitos humanos naquelas partes da terra que ainda não os conhece integralmente. Tudo isso, muito realmente, integrado na complexa realidade social estadunidense, na qual o reeleito presidente deverá ainda muito lutar para levar adiante a política social-progressista que, apesar de todos os obstáculos que lhe opunha a resistência republicana, caracterizou bastante intensamente o seu primeiro período à frente da Casa Branca. Agora, por quatro anos poderá procurar aperfeiçoar tudo de bom feito até aqui, principalmente porque o segundo mandato o livra do empenho sempre presente nos anos anteriores do comportamento de natureza eleitoral que sempre lhe exigia o Partido Democrático.
Agora Obama poderá trabalhar sem obssessões de tais níveis e, por outros quatro anos, os USA poderão usufruir de uma ação presidencial mais coerente de quanto não aconteceu nos anos precedentes. O Partido Republicano domina ainda a Câmara dos Deputados e, por isso mesmo, ali Obama encontrará muitíssimos obstáculos à sua ação. O Senado mais uma vez tem uma maioria democrática, o que atenua os limites da ação presidencial diante da oposição. Tudo somado, Obama agora encontra-se mais tranquilo para demonstrar que realmente deseja ser um claro lider progressista. Para isso, muitas coisas ainda lhe faltam, seja no plano da vida interna do país, seja naquele das muitas peripécias internacionais e das não sempre louváveis interferências estadunidenses nos mesmos. No plano interno, e especial naquele diretamente social, deverá acentuar a sua política de assistência sanatária ampliada aos maiores interesses das classes menos privilegiadas financeiramente, bem como falta-lhe sempre a prometida cessação das atividades lesivas a muitos direitos humanos que as prisões ainda abertas de Guantamano representam.
No plano internacional, a renovada presidência de Barack Obama deverá não mais assumir uma posição ambígua em relação à Palestina, bem como limitar ao mínimo de interferências a ingerência militar americana em tantas partes do mundo.
No quadro político internacional que recebeu a reeleição de Obama com grande satisfação encontra-se em particular o Brasil. A atual situação mundial de liderança conquistada pelo País nesse início do novo milênio faz-se com que o Brasil, mais do que nunca, assuma uma posição de grande vigilância em face à política externa estadunidense. Nos anos anteriores, tal vigilância se manifestou objetivamente quando a diplomacia brasileira obstaculou a pretensão americana da criação de um mercado comum das Américas. O Brasil colocou o seu prestígio internacional na defesa da independência do Mercosul, assim como batalhou por uma menor presença da força americana naquele Mercado do Norte, tudo em favor das nações latino-americanas sempre ameaçadas em suas autonomias econômico-financeiras.
O sempre presente espírito anti-americanista vigente no espírito dos brasileiros e nas atividades político-econômicas do País continua alerta, apesar do nascente otimismo pela pessoa do Presidente Barack Obama. Depois dos governos do Presidente Lula, a atual Presidente, Dilma Rousseff reafirma constantemente a posição de alerta quanto a possíveis lances imperialistas, jamais cessados de todo. O Brasil toma a si a liderança dos Países da América latina em defesa de seus intocáveis direitos de independência.
Barack Obama teve oportunidade de constatar diretamente as razões de tais posições por parte de um País revolucionado economicamente quando de sua viagem a Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília no mês de março de 2011 e, logo depois, quando viu o máximo dirigente brasileiro, Dilma Rousseff, abrir como primeira mulher a presidir uma sessão anual da Onu que então proclamava o pensamento do Brasil pela melhor conquista de uma indiscutível liberdade, política e econômica, para aqueles países que ainda sofrem os resultados de uma indesejada e diversificada presença americana nos diversos continentes. Desde então o presidente Barack Obama sempre soube traduzir em seus atos o reconhecimento da nova liderança evidentemente conquistada pelo Brasil com o seu grande progresso sócio-econômico.
Agora, o Brasil espera tão somente que os USA conquistem estavelmente aquela mentalidade progressista que, em muitos comportamentos, ainda lhes falta.

Salvé, Sílvio. Haja alguém, mesmo que não tão obsessivamente picuinhas como eu, que assuma a inevitável diferença entre um ser humano chamado Obama e uma qualquer mítica entidade salvífica, vinda quiçá do espaço exterior e completamente alheia “à sua circunstância” e às insidiosas influências e pressões que começam no interior do seu próprio partido; a compreensão da complexidade do sistema político americano; e a consciência histórica da lenta mas perseverante habilidade com que a plutocracia construiu – pedregulho a pedregulho – uma fortaleza legal quase inexpugnável e cheia labirintos e passagens secretas, para que não mais se repetisse a acção “subversiva” de Roosevelt, que tirou os EUA do pântano inaugurado em 1929, com perigosíssimas decisões “socialistas” (em americanês = comunistas, vade retro Satanás!), com a ajuda deletéria de um tal Keynes, acusando sem rebuço os banqueiros e especuladores financeiros de, pela sua ganância de lucros a todo o custo, terem provocado a crise, reforçando o papel do Estado e lançando obras públicas importantes para o desenvolvimento económico e para debelar o monstruoso desemprego gerado pelos disparates dos mesmíssimos plutocratas. E, ainda por cima, o grandessíssimo malandro era um democrata perigosamente “esquerdizante”, capaz de lembrar ao Povo que o poder lhe pertencia sempre, não sendo delegável, apesar da existência de “representantes” cuja missão era servirem-no – a ele, Povo (desvarios perigosíssimos, que jamais deveriam ser recordados ao dito Povo).
Como não sou crente, não espero de um Presidente Americano, mesmo democrata e do nível intelectual e ético de Obama, mais do que o humanamente espectável (os milagres não inexistem…) – como não esperaria, se vivesse na altura, que o Roosevelt inaugurasse uma “revolução socialista” – e tenho assistido, reservadamente – que a paciência é cada vez menos elástica -, a um coro de carpideiras que parecem ter identificado Obama com uma entidade messiânica que tudo resolveria (talvez dizimando com raios jupiterianos os plutocratas e seus acérrimos defensores “legais” ou transformando milagrosamente – manejando um cajado mágico subtraído a um qualquer Moisés – os imbecis do “tea party” e adjacências em seres humanos minimamente civilizados), foi com satisfação que li o teu esclarecido artigo, que saúdo.
Um abraço (que, em Abril, terei oportunidade de te dar pessoalmente).