EDITORIAL: TEMPOS DIFÍCEIS

Os portugueses estão debaixo de um governo incompetente, que os esmaga com uma política de austeridade desajustada e injusta, e  que tem como objectivo principal a concentração de riqueza nas mãos de uns poucos grupos económicos. Alguns portugueses parecem superar as restrições impostas, em condições muito particulares, mas a grande maioria  vê a sua vida em crise e o futuro ameaçado. Mas o peso das grandes  dificuldades que recaem sobre nós não nos deve impedir que olhemos para o que se passa por esse mundo. Também nos afecta e de que maneira, para além de outras considerações.

Agora reacendeu-se o conflito na Palestina e particularmente em Gaza. Ele é um conflito constante, a pressão sobre os palestinianos é enorme para que deixem a sua terra e vão viver para outro lado. Toda a gente sabe isso, mas ninguém quer reconhecer, tal é o peso da propaganda do lado do estado de Israel. Querem-nos convencer a todos de que o conflito na Palestina resulta de, num lado, haver uns tipos muito civilizados, com muita capacidade, muito justos, e com muitos direitos, e no outro lado, só  incapazes de se governarem a si próprios, e que praticam actos de terrorismo para fazerem mal por fanatismo. O que se passa não é, nem nunca foi assim, em conflito nenhum. Veja-se a opinião de Noam Chomsky de alguns colegas em http://www.ciranda.net/article6639.html.

Os portugueses estão atravessando tempos difíceis, os palestinianos ainda mais. O problema maior, para além da violência diária, que no caso dos palestinianos lhes põe em causa a própria sobrevivência a muito curto prazo, é a grande incerteza quanto ao futuro. Parece que há quem defenda que essa incerteza é condição necessário para o progresso. Não nos dizem de que progresso se trata, nem de quem. De certeza que não é da maioria de todos nós.

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