EM VIAGEM PELA TURQUIA – 48 – por António Gomes Marques

(Continuação)

SÉTIMO DIA

Mas a vontade do desbravar da Istambul desconhecida sobrepunha-se ao recordar e, na manhã do 7.º dia de viagem, viajando à beira do Mar de Mármara para a Mesquita Azul, descemos do autocarro num outro local histórico: o Hipódromo, hoje um jardim público, também conhecido como At Meydani ou Praça dos Cavalos, cujo espaço comportava 100.000 espectadores que acorriam para ver corridas de cavalos, de bigas (carro de duas ou quatro rodas puxado por dois cavalos) e também acontecimentos políticos.

Foi mandado construir em 203 da nossa era pelo Imperador Septímio Severo, mas Constantino ampliou-o em 325, restando hoje apenas do seu esplendor o Obelisco Egípcio, de 1500 a. n. e., trazido de Luxor por Constantino e que se pensa que teria o triplo da altura, conservando-se apenas a parte superior, resultante da necessidade de dividir o obelisco em três partes para facilitar o seu transporte do Egipto para a Turquia; a Coluna Serpentina; e um outro obelisco, a Coluna de Constantino Porfirogeneta.

                    

Coluna Egípcia e, ao fundo, Coluna de Constantino Porfirogeneta

 Foi Constantino, que governou de 324 a 337, que transformou Constantinopla na capital e no centro cristão do Império. A Coluna Egípcia está assente numa base de mármore, datada do século IV da nossa era, reproduzindo nos seus quatro lados uma corrida de quadrigas, o Imperador Teodósio e a sua família, os prisioneiros prestando homenagem a Teodósio, assim como o levantamento do próprio obelisco. Teodósio foi o sucessor de Constantino.

Entre os dois obeliscos, está colocada a Coluna Serpentina, provavelmente do século V a. n. e. Foi trazida de Delfos e terá sido construída a partir da fundição das armas dos Persas, quando derrotados pelos Gregos, dando origem à coluna. Esta está incompleta, dado que o original era encimado por três serpentes, cortadas por um nobre polaco bêbado, conservando-se uma das cabeças no Museu Arqueológico.

 Coluna Serpentina

 A Coluna de Constantino Porfirogeneta, cuja data se desconhece, deve a sua restauração ao Imperador com o mesmo nome no século X, coluna essa que se vê na fotografia anterior juntamente com a Coluna Egípcia.

A cidade de Istambul, no lado europeu, tem dois centros principais, a sul do Corno de Ouro a Praça Sultão Ahmet e, a norte, a Praça Taksim, sendo que na primeira está situado o Hipódromo, de que temos estado a falar, que foi o centro da cidade romana, que deve muito à acção de Constantino como vimos, e da cidade bizantina, sendo esta praça ainda hoje ladeada por dois dos mais importantes monumentos de Istambul: a Basílica, hoje Museu, de Santa Sofia (Ayasofya), construída em 537, e a Mesquita Azul (Sultanahmet, ou seja, do sultão Ahmet), cuja construção foi concluída em 1616.

 Mas regressemos à actual Praça do Hipódromo, em Istambul. Há também aqui, neste belo jardim público, uma fonte coberta que foi construída para comemorar a visita do Kaiser Guilherme II a Istambul, em 1898.

 Fonte coberta

(Continua)

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