CARTA DE VENEZA – 35 – por Sílvio Castro

Um novo intérprete italiano do Brasil contemporâneo

A nova posição conquistada pelo Brasil no quadro político-econômico internacional nestes primeiros anos do Novo Milênio, posição que hoje o coloca entre as potências mundiais mais ativas, acaba de encontrar um novo precioso analista em Federico Rampini, jornalista italiano correspondente nos Estados Unidos do jornal romano La Reppublica, o quotidiano que detém o record de tiragem diária na Itália.

Antes de ser enviado permanentemente nos Usa, Rampini exercia as suas funções na China, com alargamento para com a Índia. Por diversos anos realizou uma larga investigação com respeito às realidades nacionais das duas potências asiáticas, revelando aos seus leitores um mundo, em particular quanto aquele da China, de constante importância para o mercado e até mesmo para a vida quotidiana da Itália. Assim,  cedo Rampini passou a ser considerado como um dos mais importantes especialistas do universo sinólogo.

Atuando a partir desta privilegiada posição, Federico Rampini poude ver com uma não comum propriedade o significado da passagem dos dois países do mais alargado Grupo 20 àquele revolucionário do BRIC. Porém, ao jornalista italiano faltava um conhecimento mais profundo das realidades nacionais dos outros dois componentes do novo grupo internacional, o Brasil e o Canadá. Isto se faz possível com a sua remoção como correspondente permanente de La Reppublica da capital chinesa para Washington. Natural conhecedor da política e da economia americanas, a partir de então Rampini soube igualmente apefeiçoar suas indagações sobre os dois outros componentes americanos do BRIC , em particular no que respeitava o Brasil.

Em 2011 saiu um novo dos vários livros de Federico Rampini, Alla mia Sinistra (À minha Esquerda), desde logo um best-seller da editoria italiana. Ali, na sua brilhante análise dos fenômenos da política mundial, o autor dedica particular atenção à nova dimensão de potência recém-conquistada pelo Brasil.

Na sua análise, Rampini considera a grande importância representada pelo BRIC, em particular pelo Brasil. Assim fazendo considera como desde 2003, com a primeira presidência Lula a exportação brasileira aumentou de 20% ao ano, fenômeno excepcional sempre presente, apenas ameaçado pelo perigo da sempre crescente valorização do Real, hoje entre as quatro moedas mais movimentadas nos mercados de câmbio. Porém recorda igualmente Rampini como Lula foi o primeiro a denunciar a “guerra das moedas”, quando foram asusados os USA e a China de um jogo de massacre com a desvalorização do dolar e do remimbi, com os consequente danos para o Real.

Outro possível perigo para os brasileiros diante de

um progresso absolutamente novo, Rampini o vê naquilo que ele chama de “o morbo holandês“,  no anunciado muito próximo futuro que o País virá a viver com as suas enormes jazidas de petróleo  e, como consequência, daquela possível opulência econômica que confluirá no universo brasileiro. Mas, para equilibrar tais perspectivas, Rampini vê algumas das linhas mais saliente do Brasil atual, entre as quais: a aplicação de uma ativa política trabalhista, pela qual o salário mínimo corresposto a 25 milhões de trabalhadores goza de uma dupla indicização; uma sobre a taxa de inflação e a outra sobre o aumento anual do PIL. Tais decisões se apresentam ainda mais positivas em um momento de crescimento, como aquele brasileiro atual. Destaca igualmente muitas das decisões atuais da Presidência Dilma Rousseff a favor das classes menos privilegiadas, como a chamada “Bolsa Família“: subsídio consignado diretamente à mãe de cada grupo familiar, mas isso somente no caso que os filhos frequentem habitualmente a escola.

Um outro dado que qualifica em maneira especial o

novo Brasil é a sua posição de 4° maior creditor dos USA e mais ainda decisões revolucionárias sobre determinadas políticas setoriais, como aquelas tomada no campo do automóvel.

Para Federico Rampini, aquela antiga visão de uma nação cruel para com as suas classes sociais menos tocadas pela fortuna desapareceu definitivamente. Hoje a moderna linha social-democrática do Governo brasileiro por uma sempre procurada política da solidariedade reafirma fortemente como o País se transformou numa potência internacional, funcionante tanto na sua política interna, quanto naquela das relações internacionais. Principalmente por tais razões sabe afirmar uma sua liderança até mesmo no Grupo muito especial do BRIC.

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