EM VIAGEM PELA TURQUIA – 51 – por António Gomes Marques

(Continuação)

Foi Justiniano que a inaugurou em 537, ou seja, dentro de 25 anos comemorará 15 séculos de existência, sendo o único edifício do século VI ainda de pé em Istambul e considerado pelos historiadores como a oitava maravilha do mundo, apesar de vários terramotos e até um incêndio, que lhe causaram danos assinaláveis mas não a derrubaram. Como não poderia deixar de ser, o poder instituído não hesitou em ordenar as necessárias recuperações.

No interior da Basílica de Santa Sofia

O Imperador Justiniano, ao mandar construir a Basílica, pretendia superar o templo de Salomão em Jerusalém, dotando Istambul e o Império Romano do Oriente com a maior Catedral. Em 29 de Maio de 1453, com a queda de Constantinopla às mãos dos otomanos, sob o comando do Sultão Maomé II, a Igreja, como atrás referimos, seria transformada em Mesquita, sendo esta data também considerada nos manuais de história como o fim da Idade Média na Europa, dando-se assim início à Idade Moderna. Em 9 de Abril de 1928 a referência ao islamismo como religião oficial do estado desaparece da Constituição, sendo a Basília fechada em 1931. Em 2 de Fevereiro de 1935, por decisão de Mustafá Kemal Atatürk, a Mesquita de Santa Sofia reabre transformada num Museu, assim se mantendo até hoje.

Em 1993, graças à acção da UNESCO, verificou-se que o emplastro tinha começado a cair, que havia janelas partidas e que, com a não manutenção da cobertura, a humidade estava a danificar as pinturas decorativas, o que levou a que obras de restauração tivessem de ser empreendidas, obras essas que ainda continuavam aquando desta nossa segunda visita, o que se compreenderá tendo em atenção a dimensão da Basílica, embora esta seja inferior à da Mesquita Azul, e a delicadeza a assegurar na recuperação das pinturas.

A estrutura de madeira que encontrámos em 1989, pesadíssima e, naturalmente, de difícil movimentação, estava agora substituída por uma estrutura metálica, frequente nas obras em edifícios..

Sendo chamada de basílica de Santa Sofia, poderemos ser levados a pensar que terá sido dedicada a Santa Sofia, o que não corresponde à verdade. O termo sophia é a palavra latina que corresponde ao termo grego , ou seja, sabedoria, que para Platão era o objecto da filosofia e para Aristóteles a mais elevada virtude intelectual. Foi neste sentido que a palavra Sofia foi utilizada na designação da Basílica, antecedida pela significativa palavra de Santa, daí, como já dissemos, ser designada como Basílica de Santa Sofia ou Basílica da Santa Sabedoria.

Foram os gregos Isidoro de Mileto, arquitecto e médico, e Antemio de Trales, arquitecto e matemático, quem a projectou. Antemio viria a falecer cerca de um ano após o início da obra.

O “mihrab”,  que podemos ver em cima, à direita, indica a direcção da cidade de Meca (qibla),  construído no século XIX, em substituição do anterior

No seu interior, podemos ver as colunas de granito com cerca de 20 metros de altura e 1,5 metros de diâmetro, interior este decorado com pilares de mármore e mosaicos de grande beleza.

A cúpula é considerada uma obra-prima da arquitectura, com os seus 55,6 metros de altura e um diâmetro que varia entre 30,86 e 31,24 metros, apoiada em quatro arcos plenos, dando a ideia de abóbada celeste.

As superfícies interiores são de mármore policromático e também de mosaicos dourados.

Tornou-se no modelo para a construção de muitas mesquitas, como a Mesquita Azul, e até para algumas catedrais no Ocidente.

(Continua)

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