Pentacórdio para Quinta 29 de Novembro

por Rui Oliveira

 

 

   Na Quinta-feira 29 de Novembro tem início um novo projecto com que a Orquestra Gulbenkian pretende assinalar o seu 50º aniversário : um ciclo Integral das Sinfonias de Brahms.

   Nesta primeira sessão “Integral das Sinfonias de Brahms I” que terá lugar no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h, a Orquestra Gulbenkian, dirigida pelo maestro Lawrence Foster com a participação dos instrumentistas Elena Bashkirova piano e Pedro Ribeiro oboé cumprirá o seguinte programa :

 

            Richard Strauss  Concerto para Oboé e Orquestra

            Robert Schumann  Concerto para Piano e Orquestra, op. 54

            Johannes Brahms  Sinfonia nº 3, op. 90

 

   Tendo crescido na proximidade de um vulto como Dimitri Bashkirov, seu pai e notável pianista, Elena Bashkirova (foto) rapidamente se tornou numa intérprete de referência. Com uma linguagem extremamente depurada, exibe uma versatilidade rara, abordando com igual esmero repertórios clássicos e contemporâneos.

   Igualmente versátil, o oboísta Pedro Ribeiro (foto) é um dos mais dotados solistas da Orquestra Gulbenkian, tendo, entre muitas outras intervenções, participado na gravação do Concerto para Oboé e Cordas de António Victorino d’Almeida, acompanhado pela Orquestra do Algarve (ed. Numérica).

   Não havendo registo de qualquer actuação anterior destes músicos sobre as peças do programa, deixamos-lhe a gravação da 1ª peça para Oboé e Orquestra com a “Tonhalle Orchester” dirigida por Volkmar Andreae com Heinz Holliger no oboé :

 

   E já agora o Concerto para Piano e Orquestra integral pela Rotterdam Philharmonic Orchestra dirigida por Claus Peter Flor com Nelson Freire ao piano :

 

  

   Com início na Quinta-feira 29 de Novembro (e até Domingo 2 de Dezembro) vai apresentar-se no Palco do Grande Auditório da Culturgest, às 21h30, “At most mere minimum”(Quando muito o mínimo), uma co-criação de Carla Maciel, Gonçalo Waddington, Sofia Dias e Vítor Roriz (com interpretação dos mesmos).

   Os criadores esclarecem : “(Trata-se de) uma tentativa de aproximação que permite fragmentar um momento em ínfimas partículas. Nessa ampliação, lenta e infinita, revelam-se brechas que nos permitem manipular e redimensionar a realidade. Como um movimento da consciência ao interior do crânio, onde simultaneamente nos apercebemos do movimento das pálpebras e contemplamos o exterior, numa cadência ininterrupta, entre o pormenor e a totalidade, sempre impossíveis de alcançar.

   “At most mere minimum” expressa também a nossa vontade de criar um espaço de encontro e experimentação que intensifique diferenças e alimente o desejo de partilha das várias perspetivas, alargando assim a nossa visão sobre o mundo”. 

   Carla Maciel e Gonçalo Waddington (foto à esq.) têm já uma extensa carreira de actores no teatro, cinema e televisão. Em 2011, haviam interpretarado o par central de Rosmersholm de Ibsen, onde Waddington se estreara na encenação.

   Por seu lado, a última (e nona) peça da dupla da nova geração da dança portuguesa Sofia Dias & Vítor Roriz (foto à dir.), Fora de qualquer presente, estreou no Alkantara Festival deste ano, tendo a  anterior, Um gesto que não passa de uma ameaça, recebido o prémio Jardin d’Europe em 2011.

   Para sugerir o espectáculo, mostramos-lhe o trailer  de “Nenhum Nome” onde participaram Carla Maciel (como actriz) e Gonçalo Waddington (como realizador) :

 

   Também da performance de Sofia Dias & Vítor Roriz em Fora de qualquer presente temos aqui o respectivo filme-anúncio :

 

 

 

 

   Entretanto, na Sala Principal do São Luiz Teatro Municipal vai ocorrer nesta Quinta-feira 29 de Novembro (repetindo-se na Sexta 30), às 21h, o último espectáculo da bienal Artista na Cidade onde Anne Teresa De Keersmaeker irá apresentar “Drumming”, uma sua coreografia com música de Steve Reich, ao vivo pelo Ensemble Ictus.

   Dançam-na Bostjan Antoncic, Linda Blomqvist, Marta Coronado, Tale Dolven, Carlos Garbin, Fumiyo Ikeda, Valentina Nelissen, Cynthia Loemij, Elizaveta Penkova, Sandra Ortega, Igor Shyshko, Jakub Truszkowski, Samantha Van Wissen e Sue-Yeun Youn.

   Drumming (criado em 1998) é, sem dúvida, um dos trabalhos mais fascinantes de Anne Teresa De Keersmaeker: uma dança deslumbrante, com música original para percussão do músico minimal Steve Reich, escrita depois de uma viagem de estudo a África em 1970-71. A música baseia-se num único e obsessivo motivo rítmico: multiplica-se e desenvolve-se numa variedade de texturas. Uma composição na qual, para além das peles, da madeira e do metal, podemos ouvir também a presença subtil de vozes. O grupo Ictus dá vida a esta composição com extraordinária precisão.

   Na sua coreografia, Anne Teresa de Keersmaeker preserva o espírito da música e, ao mesmo tempo, enriquece-o : tal como na música, a complexidade da coreografia surge de uma única frase de movimento à qual são aplicadas inúmeras variações no tempo e no espaço. Uma onda de pura dança e puro som que poderemos apreciar (ou pelo menos pressentir) no vídeo abaixo :

 

 

 

   Estreia na Quinta-feira 29 de Novembro, às 21h30, no Teatro Turim (Estrada de Benfica, nº 753), a peça “A Culpa”, um texto de Peter Pina a quem cabe também a encenação e direcção artística, a qual permanecerá em palco até 16 de Dezembro.

   São seus intérpretes Peter Pina, Margarida Moreira e Ricardo Barbosa, sendo o design e vídeos de Tiago Santos e os figurinos de Luiz Gonçalves e Roberto Fernandes.

   Tema : A Culpa é a história da viagem de uma mulher aos corredores da sua mente. Uma mulher decide enfrentar o seu lado negro, à procura das respostas da sua culpa. Uma reflexão sobre a mentalização da culpa e a conquista da desculpa, como um processo doloroso, que implica várias etapas … Portas que ela abre e fecha, tropeçando na história do seu filho, do seu amante e do seu marido. Um caminho que ela percorre, num sentimento misto, entre a tristeza e a revolta, inerente ao ser humano, fazem-na direccionar a culpa para si mesma. No fim do processo, confronta-se e entende a verdade, acordando para uma cura de lucidez, aceitando que de facto a culpa não existe.

   Conclui : “A culpa não é de ninguém. A culpa é da vida. A culpa é do destino.”

   Eis o filme-anúncio :

 

 

 

 

   Nessa noite de Quinta-feira 29 de Novembro, às 23h, actua no Hot Clube (Praça da Alegria nº 48) o “European Saxophone Ensemble” sob a direcção de Guillaume Orti, que irá tocar composições de Ronan Guilfoyle , Alan Hilario, Kari Ikonen, Ingrid Laubrock, Stéphane Payen.

   Compõem-no 12 saxofonistas de 12 países europeus : János Ávéd – sax tenor e soprano (Hungria), Sam Comerford – sax tenor (Irlanda), Sylvain Debaisieux – sax tenor (Bélgica), Miriam Dirr – sax alto e soprano (Alemanha), Linda Fredriksoson – sax barítono (Finlândia), Luka Ignjatovic – sax alto (Sérvia), Tereza Králová – sax alto e soprano (Rep. Checa), Andy Lévêque – sax alto e soprano (França), Andrea Mocci – sax baixo e soprano (Itália), Jandra Puusepp – sax soprano (Estónia), Gregor Siedl – sax tenor e soprano (Áustria) e Dovydas Stalmokas – sax beixo e barítono (Lituânia).

   Ouçamo-los interpretando alguns temas deste concerto numa actuação em 2011 :

 

 

 

   Ao Ondajazz volta esta Quinta 29 de Novembro, às 22h30, a cantora Selma Uamusse que, acompanhada por Augusto Macedo baixo, Gonçalo Santos bateria, Ivan Gomes guitarra e Nataniels Melo percussões, vai prestar um tributo a Miriam Makeba, uma referência musical enquanto cantora activista dos direitos humanos e contra o apartheid na Africa do Sul.

   A fusão de généros musicais tem sido algo que faz parte do percurso de Selma Uamusse, dai que a fusão que Miriam Makeba faz do blues com a música africana desde cedo a tenha interessado … e daí o tributo que faz prever ser “uma noite de celebração em que o improviso, o ritmo, a dança não irão faltar” − diz o Ondajazz.

 

 

 

   Por último, no campo das conferências/debate, tem lugar no Institut Français de Portugal, com início nesta Quinta-feira 29 de Novembro (e encerramento na Sexta 30), em ligação com o Festival Temps d’Images, o “Colóquio Internacional ARTE POLÍTICA ECONOMIA”, a partir das 10h e com entrada livre.

   Estarão presentes, entre outros, de Jean-François Chougnet (director de Marseille-Provence 2013) e Christophe Girard (adjunto do Presidente da Câmara Municipal de Paris), José A. Bragança de Miranda (ensaísta e professor universitário), Paulo Cunha e Silva (curador, programador e professor universitário), Rui Horta (coreógrafo e programador), Tiago Bartolomeu Costa (jornalista), André E. Teodósio (actor e encenador). 

   “Nas últimas décadas temos assistido a uma mudança das condições de produção e distribuição que modificam não só o trabalho artístico mas, também, as características dos receptores das obras, induzindo novas linhas de percepção e pensamento. Neste colóquio, procura-se equacionar as conjunturas de natureza artística, politica e económica que têm determinado os actuais contextos.

    Até que ponto será ainda a arte determinante na criação do “aspecto” do mundo? Seremos ainda capazes de reconhecer uma autonomia essencial da arte?”.

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )

 

 

 

 

 

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