Pentacórdio para Domingo 2 de Dezembro

por Rui Oliveira

 

 

   No Domingo 2 de Dezembro dentro do Ciclo “Espírito Beethoven ! Música e Liberdade !” do Centro Cultural de Belém há no seu Pequeno Auditório, às 17h, um concerto da residente Orquestra de Câmara Portuguesa sob a direcção musical de Pedro Carneiro (foto), que também fará a solo a percussão na obra de Xenakis.

   O programa compreende :

 

            Iannis Xenakis                    O-Mega para percussão e 13 músicos (1997)

            Franz Schubert                   Sinfonia n.º 8 em Si menor, D. 759, Incompleta

            Ludwig van Beethoven     Sinfonia n.º 3 em Mi bemol, op. 55, Eroica

 

   O programador justifica a inclusão destas peças no ciclo “Música e Liberdade” deste modo : “O-Mega, a última letra do alfabeto grego e a última obra de Xenakis, já intencionalmente composta como sua obra derradeira, é uma peça que representa, assim, também uma escolha livre de um criador que toda a sua vida lutou pela sua própria liberdade, o que se reflectiu na substância política da sua música. A obra de Xenakis, aliás, reflecte a sua experiência combativa pois ele fez parte da resistência grega durante a Segunda Guerra Mundial e foi depois refugiado político do regime dos Coronéis.

   A finalizar o concerto teremos a famosa sinfonia Incompleta de Schubert, simbolizando a sempre incompleta construção da liberdade humana, e a Eroica, de Beethoven, que transporta em si o mágico número 3, dos três ideais adoptados pela Revolução Francesa – liberdade, igualdade e fraternidade”.

  É aquela peça de Xenakis, aqui interpretada por Roland Auzet, que ouviremos no CCB :

 

  

   Como concerto importante para os amadores de piano neste Domingo 2 de Dezembro a não perder será o do húngaro András Schiff no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 19h.

andrás-schiff 1   O pianista, aluno aos cinco anos de idade de Elisabeth Vadász e mais tarde de Pál Kadosa, György Kurtág e Ferenc Rados, e em Londres de George Malcolm, dedica uma parte importante da sua actividade à realização de ciclos de recitais monográficos dedicados, até agora, às obras para piano de Bach, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Chopin, Schumann e Bartók. Colaborou com a maioria das principais orquestras internacionais e com maestros de renome, mas actualmente apresenta-se preferencialmente na dupla qualidade de maestro e solista. Colabora todos os anos com a Philharmonia Orchestra e com a Orquestra de Câmara da Europa.

   São algumas das obras desses recitais que se ouvirão neste Domingo, como :

 

            Robert Schumann             Papillons, op. 2

            Ludwig van Beethoven    Sonata nº 7, op. 10 nº 3

                                                         Sonata nº 14, op. 27 nº 2, Ao luar

            Robert Schumann            Sonata nº 1, op. 11

   Ouça-se este registo da execução duma Sonata de Schumann, não a opus 11 mas sim 14 em Fá menor, aqui o 1º e 2º andamentos (para os 3º e 4º seguintes é favor clicar em http://www.youtube.com/watch?v=ba94Kq_Uj1k )   

   O Concerto de Domingo a ter lugar no Átrio da Biblioteca de Arte no Edifício Sede do Museu Calouste Gulbenkian, às 12h deste Domingo 2 de Dezembro, recebe a presença  do coro “Voces Caelestes”, sob a direcção do maestro Sérgio Fontão, para o concerto “Rosa sine spina”. A entrada é livre.

   Ouvir-se-á assim um programa de música coral a cappella do século XX que inclui obras essencialmente de temática mariana da autoria de diversos compositores como :

   John Rutter (n. 1945)There is a flower, Javier Busto (n. 1949)Ave, Maria, John Joubert (n. 1927)There is no rose of such virtue,  Hugo Distler (1908-1942) Es ist ein Ros entsprungen,  Herbert Howells (1892-1983) A Spotless Rose,  Fernando Lopes-Graça (1906-1994) Partidos são de Oriente,  Charles Ives (1874-1954) / arr. Paul C. Echols A Christmas carol,  Arvo Pärt (n. 1935) Nunc dimittis,  John Tavener (n. 1944) Hymn for the Dormition of the Mother of God,  Frank Ferko (n. 1950) Motet for the Falling Asleep of the Mother of God,  Benjamin Britten (1913-1976) A Hymn to the Virgin,  Pierre Villette (1926-1998) Hymne à la Vierge,  Edvard Grieg (1843-1907) Ave, maris stella.

   “Voces Caelestes”, criado há quinze anos, é um grupo vocal de constituição variável, de acordo com as exigências das obras a interpretar. Esta característica, aliada à vasta experiência dos cantores que o integram  – que se estende da música medieval à criação musical contemporânea  – permite às “Voces Caelestes” abordar um extenso repertório.

   O único registo de alguma qualidade das capacidades deste Coro é este excerto duma peça de Haydn, sob a direcção de Sérgio Fontão :

 

 

 

capella duriensis 1   Ainda no Domingo 2 de Dezembro há na Igreja de São Roque, às 17h, novo espectáculo do festival Música em São Roque com a presença do grupo coral Capella Duriensis  dirigido por Jonathan Ayerst, um ensemble vocal sediado no Porto e especializado em música a cappella que proporciona um interesse contextual aos seus programas, através de uma mistura de vozes solistas e pequenos ensembles, contrastando elementos da Renascença com peças medievais e modernas.

   Irá interpretar de vários autores ou códigos as seguintes peças :

   Codex las Huelgas  Belial vocatur ; Canções de Advento (séculos XIV-XVI) Danielis  prophetia/Boémia, A solis ortus cardine/Alemã-Neerlandesa  ; Organum de Chartres, séc. XI; César Cui (1835-1918)Magnificat de Beata Virgine ; Sergei Rachmaninov  (1873-1943) Nunc Dimittis ; Victor Kalinnikov (1870-1927) Bendize, ó minha alma, ao Senhor!

  

   Não havendo registo destas peças, escute-se a voz da Capella Duriensis no tema Illibata dei Virgo Nutrix de Josquin des Prez :

 

 

   Há no Domingo 2 de Dezembro, às 21h, na Sala Montepio do Cinema São Jorge, a apresentação lisboeta que o grupo português Danças Ocultas faz durante a sua digressão nacional, para a qual convidaram a jovem violoncelista e cantora brasileira Dom la Nena.

   Artur Fernandes, Filipe Cal, Filipe Ricardo e Francisco Miguel, constituintes dos Danças Ocultas, utilizam o acordeão diatónico, vulgo concertina, para dar sopro às suas composições, distinguindo-se não só pela formação singular mas, sobretudo, pela profunda originalidade da música que criam.

   Dom, é uma jovem mas reputada violoncelista e cantora cujo talento já a levou a ser requisitada para digressões com notáveis como Jane Birkin e que tem um álbum que conta com co-produção de Piers Faccini.

   Com um fôlego musical que se estende da música erudita à música popular brasileira e mais além, Dom parece ser a parceira ideal para os também dotados parceiros portugueses. Juntos em palco, os Danças Ocultas e Dom interpretarão novos arranjos para obras assinadas por ambos, dando uma nova perspectiva à música que criaram.

   Obtivemos este registo do seu som numa sua actuação em Outubro de 2010 :

 

 

    Ainda neste Domingo 2 de Dezembro há na Sala dos Espelhos do Palácio Foz, dois eventos culturais interessantes e como habitualmente de entrada livre.

 

carlo michini1   Com o apoio da Associação António Fragoso (criada em Cantanhede  em 2009) tem lugar, às 15h, um Recital de Piano onde o pianista italiano Carlo Michini (actualmente um dos virtuosos na Academia Internacional de Música ‘Aquiles Delle Vigne‘, em Coimbra) dedicará o seu concerto a Franz Liszt do qual abordará os “Anées de Pelerinage Deuxième Année – Italie” tocando  Tre Sonetti del Petrarca  (Sonetto 47 Benedetto sia ‘l giorno, e l’mese, e l’anno,  Sonetto 104  Pace non trovo, e non ho da far guerra e Sonetto 123  Io vidi in terra angelici costumi),  Apres une Lecture de Dante  (Fantasia quasi Sonata) e Venezia e Napoli  (Gondoliera, Canzone e Tarantella).

 

 

   Mais tarde, às 18h, realiza-se no mesmo local um Concerto Coral pelo Coro Lopes Graça da Academia de Amadores de Música sob a direcção coral do Maestro José Robert

lopes-graca   Do programa constam :

      Três canções heróicas (música original de Fernando Lopes-Graça) − Canto do Livre (poema de Soares de Passos), Exaltação (poema de Miguel Torga) e Acordai (poema de José Gomes Ferreira)

      Canções regionais portuguesas (arr. de Fernando Lopes-Graça) − Anda, duérmete, niño (Trás-os-Montes), O milho da nossa terra (Beira Baixa) e Canção da Vindima (Beira Baixa)

      Senhora Sant’Ana (Douro Litoral), Romance da andorinha gloriosa (Beira Litoral), Oração de Santo António (frag) (Algarve)

      Da I e II Cantatas de Natal (sobre cantos tradicionais portugueses) (arr. de Fernando Lopes-Graça) −  Natividade (Do varão nasceu a vara, O menino nas palhas, Os pastores em Belém), Janeiras (Moradoras desta casa Inda agora aqui cheguei, Deus lhe dê cá boas noites), Reis (Partidos são de Oriente, Quem vos vem dar Boas-Festas)

 

 

 

   Por último no Domingo 2 de Dezembro, também no Cinema São Jorge mas às 18h, ocorre um dos habituais Concertos ao Domingo desta vez designado “À Descoberta da Rússia“ onde a Orquestra Metropolitana de Lisboa sob a direcção musical de Evgeny Bushkov, acompanhada por Peter Flanagan violoncelo irá tocar :

 

        Sergei Prokofiev          Sinfonia Clássica

        Dmitri Chostakovich   Concerto para Violoncelo n.º 1

        Alexander Borodin      Nocturno

        Alemdar Karamanov   Dedicatória (estreia absoluta)

 

   O concerto, a 5 Eur (e não de entrada livre como, por lapso, informámos), será comentado por Rui Campos Leitão.

 

   Deixamo-vos gozar o restante Domingo ao som (e imagem repousante) do Concerto para Violoncelo de Chostakovich pelo violoncelista Milos Sádlo com a Orquestra Filarmónica Checa dirigida por Karel Ancerl :

 

 

(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Sexta aqui )

 

 

 

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