EM VIAGEM PELA TURQUIA – 55 – por António Gomes Marques

Algumas das relíquias sagradas estão também em exposição, as quais vieram para Istambul graças à conquista do Egipto e da Arábia por Selim, o Terrível. Algumas das relíquias são objectos pessoais do Profeta Maomé, nomeadamente, espadas, estandarte, arco e flechas, sendo que o tesouro mais sagrado é o manto por ele usado, o qual só podemos ver de uma antecâmara dado não poder entrar-se na sala onde está guardado. «Debaixo de um armário de vidro na antecâmara estão pêlos da barba do profeta, um dente, uma carta escrita por ele e uma impressão do seu pé.» (v. Guia American Express, o. c., pág. 71). Num outro salão, pudemos ver espadas dos Califas de Maomé.

Não devemos estranhar a excelente preservação dos trajes imperiais, se soubermos que tal se deve à tradição de, após a morte do sultão, «embalar e selar em sacos todas as roupas do sultão» (idem, pág.70).

Infelizmente, não nos deixaram fotografar ou filmar.

No quarto pátio, encontrámos os Pavilhões de Bagdade, com os seus maravilhosos azulejos azuis e brancos, e o da Circuncisão e mais jardins. O Pavilhão de Bagdade foi mandado construir em 1639 por Murat IV, celebrando assim a conquista de Constantinopla. Entre os dois Pavilhões há uma varanda de onde pode apreciar-se o magnífico panorama do Corno de Ouro e da Torre de Gálata. À direita, o panorama não é menos belo, com o Bósforo, o Mar de Mármara e as ilhas dos Príncipes, com o continente asiático, a Anatólia, do outro lado.

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O último edifício que visitámos foi a antiga biblioteca do sultão, mas onde já não vemos quaisquer livros.

Efectuada a visita ao Palácio, havia que cumprir o que deve ser um ritual para todos os estrangeiros de passagem por Istambul: a visita ao Grande Bazar, antevendo assim a partida de regresso aos seus países no dia seguinte.

O Grande Bazar está situado no bairro histórico de Eminönü, da cidade de Istambul, na parte mais alta de uma grande zona comercial na encosta sul do Corno de Ouro, zona essa que se estende desde o Grande Bazar até à Ponte de Gálata, não sendo de estranhar a sua existência se não esquecermos que Istambul, como dantes Constantinopla, é a cidade que liga dois continentes, sendo o Grande Bazar o principal centro deste comércio.

Existiu neste local um outro mercado também coberto, construído pelos Bizantinos no século XIII, com 8 colunas que sustentavam 23 cúpulas. O conquistador de Constantinopla, Mehmet II, decidiu que o mesmo seria reconstruído logo a seguir à conquista da cidade, mais precisamente em 1461, tendo mais de 60 ruas cobertas por abóbadas pintadas, com centenas ou mesmo milhares de lojas, pois há quem afirme que, numa área de 20 hectares, existem ali 1.200 e outros 4.000 lojas, agrupadas por tipos de mercadorias, tais como, joalharias, cerâmicas, especiarias e têxteis e tapetes, sobressaindo também as lojas de vestuário de pele, de excelente qualidade e a preços bastante mais acessíveis, recordando até a primeira visita em 1989, aproveitada pela Célia para comprar um belo casaco de peles que teve grande êxito após o regresso a Portugal, pelo qual ofereciam 3 e 4 vezes o valor do seu custo, ou seja, a diferença pagava a viagem. Este casaco ainda hoje está com uma pessoa da família a quem a Célia o ofereceu, passados uns bons anos. Claro que não faltam as lojas de roupas, de calçado e de móveis.

No Grande Bazar trabalham cerca de 20.000 pessoas e muitos dos artigos que encontrámos à venda são feitos em oficinas ali existentes, que não vemos. Parece não haver dúvidas de que se trata de um dos maiores mercados do mundo, diariamente frequentado entre 250.000 e 400.000 pessoas. Encerra aos Domingos.

Um tremor de terra em 1894 destruiu o edifício, restaurado de novo, com uma estrutura em madeira, várias vezes destruída por incêndios, até que, em 1956, foi outra vez reconstruído em pedra.

As mercadorias de maior valor encontram-se no núcleo central, naturalmente por exigirem maior segurança. Tem paredes em alvenaria de cascalho, pilares em pedra e arcadas e abóbadas em tijolo, ligadas por traves; as portas, naturalmente, são em ferro e ornamentadas com pregos, como é uso nestas zonas geográficas.

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Mas nem todas as lojas estão assim protegidas. «Embora a estrutura do bazar se mantenha como antigamente, a sua função, o modo como é gerido, a natureza doImagem3 comércio aí desenvolvido e a arquitetura dos interiores mudaram significativamente a partir da segunda metade do século XIX. Na década de 1960, as mudanças na indústria e economia da Turquia, bem como na demografia de Istambul, determinaram a substituição da maior parte das oficinas tradicionais de artesanato por lojas de tipo ocidental e para turistas, as quais constituem atualmente o maior negócio do lugar. As lojas tradicionais tinham mostruários abertos, separados por cortinas ou finos tabiques de madeira e eram fechados à noite com persianas verticais. Atualmente, muitas lojas são fechadas com portas e montras de vidro iluminadas. A gestão, que antes era feita por uma guilda (em turco: longa), que tinha a seu cargo não só a manutenção dos espaços, mas também o controlo apertado da concorrência e preços, é atualmente feito de forma algo deficiente por uma série de associações de lojistas.» (in: pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Bazar). Ao lado a Porta de Nuruosmaniye

Tem quatro portas de entrada, uma em cada extremo das ruas principais: Porta de Örücüler, Porta de Mahmut Paşa, Porta de Nuruosmaniye e Porta de Beyazit ou de Çarşıkapı, «sendo as mais úteis a Porta de Çarşıkapı ( a partir da paragem de eléctrico de Beyazıt) e a Porta de Nuruosmaniye) (a partir da Mesquita de Nuruosmaniye)» (v. Guia American Express, o. c., pág. 104).

A viagem pela Turquia, de acordo com o programa, terminou com a visita ao Grande Bazar. De seguida, houve que acordar um jantar com um pequeno grupo, esperar por uma boa noite de sono tranquilo no excelente hotel que nos coube em Istambul e tratar dos preparativos para regressar a Lisboa no dia seguinte, com partida a meio da manhã.

Poderíamos encerrar aqui o nosso texto, mas vamos aproveitar para falar ainda da Turquia de hoje, apresentando alguns dados que nos foram disponibilizados e que lemos durante a viagem de regresso. No entanto, falaremos primeiro de Istambul, aproveitando o citado livro de Orhan Pamuk.

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