O PATO ALGEMADO – XIII – por Sérgio Madeira

Imagem2

O Pato algemado

Imagem1

Prenda de Natal Alentejana

(A crise aguça a imaginação)

– Estouuuu… é da GNR?
– É sim, em que posso ajudá-lo?
– Queria fazer quêxa do mê vizinho Maneli.  Ele   esconde droga dentro dos troncos Imagem1da madêra prá larera.
– Tomámos nota. Muito obrigado por nos ter avisado.

No dia seguinte os guardas da GNR estavam em casa do   Manuel.

Procuraram o sítio onde ele guardava a lenha, e usando machados  abriram ao meio todos os toros que lá havia, mas não encontraram droga   nenhuma. Praguejaram  e foram-se embora.

Logo de seguida toca o telefone em casa do   Manuel.

– Ó  Maneli, já aí foram os tipos da GNR?

– Já.

– E racharem-te a lenha toda?

– Sim!

– Então feliz Natal, compadri! Esse foi o mê presente deste ano!

O ESTRANHO CASO DO PASTOR ALEMÃO – O inspector Pais apresenta um protesto ao autor

Lembramos como acabou o episódio anterior.

Na Feira das Tasquinhas, em Sobral de Monte Agraço, Filipe Marlove, o inspector Pais e Marília, enquanto comiam uma dose de castanhas assadas, não tiravam os olhos da mesa onde João Paralelo de Sousa autografava o seu livro de culinária. O número de pessoas ia diminuindo. Até que o autor, ficou a descoberto, entregando já autografado um exemplar da sua obra aos últimos dois admiradores, um casal jovem que agradecia a dedicatória.

Filipe ficara com uma castanha na mão, com ar entre o surpreendido e o apavorado.

– Homem, você até parece que viu bicho! Deve-lhe ter dado o emprintingue! – dissera o Pais. Porém Filipe não apresentou sintomas de ter ouvido. É que, sentado,  sorrindo para os dois jovens a quem acabara de escrever a dedicatória, estava, nem mais nem menos,  Franz Boagren, o ministro luterano de Darmstadt. Quando, passado o primeiro momento de pasmo explicou ao inspector o motivo por que ficara siderado, Pais ergueu-se com ligeireza e encaminhou-se para o homem a quem uma empregada dizia que aqueles senhores estavam à espera que ficasse liberto da sua tarefa. O Pais, logo que chegou junto dele, ignorou a mão estendida e mostrou-lhe o crachá da PJ.

– Ah, já sei – ainda é por causa do assassínio do comendador Emanuel de Sousa Figueira…

Filipe que entretanto chegara, ficou ainda mais surpreendido – o homem falava português sem o mais leve acento – ou seja com o acento lisboeta que os lisboetas consideram ser a ausência de acento.

O Pais disse:

– Sim é por isso… e não só.

O homem beijou a mão a Marília que, pouco habituada a tais cerimónias, corou, com as borbulhas quase a rebentar. Filipe apresentou-se e quando o outro disse: «- João Paralelo de Sousa, licenciado em Letras», não resistiu a perguntar: – «Conhece Franz Boagren?». O homem deu uma gargalhada: – «Então não havia de conhecer? É meu irmão» e acrescentou «irmão gémeo».

O Pais foi aos arames:

– Dass! Que falta de imaginação do caraças! – Filipe ia a dizer qualquer coisa. O Pais não deixou – Não me venha com o emprintingue ou com o Pralim VI ! E marcou o meu número no telemóvel. Quando atendi, berrou-me: «- Ouça lá: então você, tem a mania que é escritor, e vem com uma solução destas? Gémeos?..

– Isto não é o que parece – respondi.

– Isso foi o que eu disse à minha mulher quando ela me apanhou na cama com a prima… – mas estava mais calmo – É bom que não seja. De qualquer das maneiras, peço um time out.. Desligou e perguntou a Paralelo de Sousa:

– Onde é que encontro uns pastéis de bacalhau?

A seguir . O pastor alemão, afinal é austríaco

Leave a Reply