EDITORIAL: MÁS NOTÌCIAS NA SAÚDE

Diário de Bordo - II

 

Um jornal de ontem falava no derrapar dos custos no Serviço Nacional de Saúde no primeiro semestre do presente ano, assinalando-as como más notícias para  o Ministério da Saúde. Sem dúvida que se trata de um  problema grave. Infere-se da notícia que grande parte das poupanças  terá sido obtida com o corte dos custos com o pessoal, nomeadamente dos subsídios de férias e de natal. Terá ocorrido na saúde o mesmo que em outros sectores: quem trabalha pagou a factura. Outra parte das poupanças dever-se-á à proibição de autorização de despesas que não tenham cabimento orçamental nos três meses seguintes, podendo os gestores que a infrinjam ser responsabilizados criminalmente.

No mesmo jornal e noutros colegas seus encontramos outro tipo de más notícias. O crescimento do número de diabéticos, concomitante com um aumento das assimetrias regionais no que respeita à disseminação da doença, e com um aumento da mortalidade, tem a ver com certeza com o envelhecimento da população e com o menor acesso aos cuidados de saúde. Será importante que alguém habilitado confronte estes dados de morbilidade e mortalidade com o encerramento de serviços e com o agravamento de taxas. Para quando um trabalho sério neste campo?

Outra notícia igualmente grave é a do reaparecimento em território português do dengue. Parece que se deve em primeiro lugar à suspensão da profilaxia necessária, já há alguns anos. Teria sido também um caso de corte nas despesas? Se se confirmar ser essa a razão, teremos mais um exemplo de como uma poupança reduzida abre o caminho a custos muito maiores.

Entretanto Passos Coelho, ontem, pediu mais eficiência na saúde, e declarou ser possível fazer mais com os mesmos meios, sem perda de qualidade. Terá sido em resposta a declarações do bastonário da ordem dos médicos, deplorando mais cortes anunciados. Ao primeiro ministro resta pouca ou nenhuma autoridade moral, e aos doentes e à população em geral resta prepararem-se para mais más notícias. Boas, só com outro governo, que terá de ser bastante diferente deste.

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