RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Europa - II

A verdadeira crise da zona euro é muito mais do que a crise da dívida

Matthew Boesler

(CONTINUAÇÃO)

The REAL Eurozone Crisis Is About Much More Than Debt

 21/26

Até mesmo Wall Street reconheceu  este ano a existência de um alargamento  do défice democrático na  União Europeia

 

maisdoqueeuro - XXI

 

 

 

 

 

 

Pascal Le Segretain/Getty Images

O economista Annatoli Annenkov, do banco Société Générale, escreveu recentemente que neste momento, os dirigentes europeus terão  que começar a reescrever  os tratados governamentais a fim de transferir mais poder para o nível supranacional e para longe dos governos nacionais:

Ao que parece está-se a  atingir os limites do que é viável sem uma discussão mais profunda ou sobre  o redesenhar das  constituições nacionais ou sobre os tratados da União Europeia. Não surpreendentemente, o Presidente Barroso entregou um apaixonado apelo para se iniciar o trabalho sobre um novo Tratado,  no seu discurso sobre o estado da União , ontem, bem antes das eleições para o Parlamento Europeu, em  2014.

A menos que as actuais medidas para acalmar os mercados financeiros sobre a viabilidade do euro sejam suficientes, e que as exigências para  um maior aprofundamento da  União Orçamental, possivelmente incluindo mais transferências permanentes do sector público, será inevitável para os políticos começarem  a contemplar novas constituições nacionais  e ou um novo Tratado da União Europeia, em conformidade com o que já aconteceu na Alemanha. A menos que estas questões sejam enfrentadas será difícil seguir em frente com uma maior integração na UE e na zona euro …

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The REAL Eurozone Crisis Is About Much More Than Debt

22/26

E o papel crescente do BCE na estrutura centralizada do poder na União Europeia suscitou vivas críticas.

maisdoqueeuro - XXII

 

 

 

 

Bloomberg TV

O economista-chefe do Citi Willem Buiter num debate que se realizou no início de Julho apresentou e falou sobre  as tensões democráticas que poderiam gerar  mais progressos na criação da União bancária :

No  que respeita à responsabilização formal, o BCE na sua qualidade de determinante das taxas de juros, da liquidez e das garantias de crédito,  como refinanciador de última instância  e como formador de mercado também aqui de  último recurso,  tem formalmente  menos  responsabilidade do que qualquer outro banco central principal. …

Os anteriores desabafos  sobre o défice democrático na União Europeia não serão  nada  quando comparados   com a raiva    que irá disparar ruidosamente,   como nós o  podemos esperar,  se o controlo bancário (e mais tarde as garantias de depósitos, a redenominação de garantias, o regime de resolução bancário  e o fundo de resolução bancário) são institucionalizados sem um aumento correspondente no controlo democrático sobre estes  organismos, funções e competências.

A melhor solução tecnocrática pode ser criada mas  para coisa nenhuma  se esta solução não se puder tornar  aceitável para uma pluralidade suficiente de pessoas e povos da zona  [euro].

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The REAL Eurozone Crisis Is About Much More Than Debt

23/26

Mas não é só a União bancária – o  novo plano de emergência  do BCE para o euro, chamado de OMT, é claramente uma questão  de poder político

 maisdoqueeuro - XXIII

 

 

 

 

 

 

 

CNBC’s Silvia Wadhwa addressing Mario Draghi
ECB

As transacções monetárias Outright (OMT) do  novo programa do BCE de intervenção no  mercado obrigacionista -projectado para ajudar a controlar os custos  crescentes de financiamento para os Estados problemáticos na periferia do euro, é considerado por alguns como uma questão de actuação do poder  político.

O BCE é largamente visto como a única instituição europeia  com poder de fogo suficiente para conter a crise de dívida soberana da Europa. No entanto, o banco central  tem ligado a verificação de dadas condições  políticas como condição prévia à  elegibilidade das OMT – por  outras palavras, o BCE, uma instituição supostamente independente, não política, exerce agora a sua influência sobre os   dirigentes dos  Estados Membros da zona euro e das suas políticas orçamentais e  económicas.

A   veterana jornalista  Silvia Wadhwa, ao serviço da estação CNBC e sua representante em Bruxelas   colocou a questão   ao  Presidente do BCE Mario Draghi directamente aquando da  última reunião do banco central.

Willian perguntou a  Draghi:

Se as OMT são  uma medida puramente monetária para ajudar a reparar os  fragmentados mercados disfuncionais, como é que pode dizer, como pode estabelecer  condições políticas prévias para isso ? E não será isto  um pouco como quando o meu corpo de bombeiros local  me diz  que eu poderei abrir a torneira da água  apenas “se me mostrar que tem um programa de melhoria do telhado?”

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(continua)

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