COMEÇAR DE NOVO – por António Mão de Ferro

Não há maneira das peças voltarem ao tabuleiro e a partida recomeçar. Esta dificuldade de dar início a uma situação diferente está a deixar o país cada vez mais à deriva, sem que se consiga discernir quando acaba. É urgente recomeçar e evitar cair nos mesmos erros. Para isso as peças têm que ser movimentadas por outros, com integridade e competência, para que não se assista ao que estamos a assistir.

É verdade que vira casacas e troca tintas, existem por todo o lado e nem se vê maneira de eles se eclipsarem, mas aquilo que temos presenciado nos últimos tempos e  que continuamos a ver, ultrapassa tudo o que ainda não há muito tempo era impossível de imaginar. Eticamente tem-se o conceito do que é um homem ou mulher e custa a perceber porque motivo alguns, quando detém o poder, parecem fingir não sê-lo. Provavelmente porque depois de tanto tempo a exibirem milhentas caras, acabam por se esquecer de qual é a sua, daí que certamente se debatam com um problema, que é o de não só não se lembrarem do que defenderam, mas o de se esquecerem de quem são!

Parecem comparar-se a um bêbedo, que à medida que o tempo vai passando e a quantidade de álcool ingerido aumenta, vai produzindo mudanças e  desvios na sua conduta que o levam  a semear palavras sem conhecimento nem consciência se delas virá bem ou mal. Verdade se diga que ninguém acredita no que ele diz ou faz, mas o pior é quando os atos praticados, têm reflexos na vida das pessoas e contribuem para que se viva num imenso vazio sem futuro nem esperança, a contemplar tudo o que se passa e a ficar indiferente a tudo o que se aproxima.

Está-se engaiolado sem maneira de conseguir sair. É preciso que as peças voltem ao tabuleiro. Nessa altura há que movimentá-las de modo diferente, o que implica que não se fique indiferente, ao aproximar dos próximos lances  para evitar que este período brutal em que os valores básicos parecem estar a ficar ameaçados, não seja repetido. Talvez a primeira preocupação seja afastar os peões, peças menores que se julgam gigantes, preparados para endireitar o mundo e que quando deixados à solta penetram pelo tabuleiro, sem respeito pelos outros. Depois não esquecer de ter atenção às cavalgaduras porque elas vão continuar a existir e destruir o que podem desde que isso lhe traga benefícios.

1 Comment

  1. Segundo um artigo do El País (de quinta-feira), quando a situação económica do estado espanhol ficar estabilizada, os índices de bem-estar terão regredido 20 anos. Talvez que em Portugal, menos desenvolvido, a regressão não seja tão acentuada. De uma coisa há a certeza, António – as pedras mais fortes estão bem protegidas – rei, rainha. bispos… Os peões serão sacrificados – o costume. Excelente reflexão.

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