O PRÉMIO NOBEL DA PAZ PELA LAMA DA RUA – por Mário de Oliveira

Com a devida vénia, com os nossos agradecimentos e com a autorização expressa do autor, transcrevemos este artigo do jornal FRATERNIZAR, Edição 83, Sexta-feira, 14 Dezembro 2012

Depois de Obama, o do dólar genocida, a União Europeia, a dos Estados contra as populações

Esta semana, 2.ª feira 10, o português Durão Barroso, na sua qualidade de presidente da Comissão da União Europeia, respirava hipocrisia por todos os poros. Há quem confunda hipocrisia com felicidade e com verdade e diga que Durão Barroso é, agora, um chefe de Poder europeu ainda mais feliz. Nunca, porém, um agente de Poder conhece a felicidade. Menos ainda, a paz. Por mais Nobeis da paz que sejam atribuídos a quantos se prestam a esse sujo serviço que, por o ser, exige de quem o exerce e personifica, que sempre se apresente vestido a rigor, no seu fato de cerimónia, camisa imaculadamente branca e gravata a condizer com as cores do fato e dos sapatos. E tal se apresentou Durão Barroso, no acto de receber o cheque do Prémio Nobel da Paz 2012. Um prémio que, de ano para ano, premeia ladrões e assassinos. Ladrões institucionais das populações e assassinos. Pois existem, aí, só para as empobrecer e matar. Nem que seja pela fome continuada, pela inactividade prolongada no tempo, pela ausência de cuidados de saúde de qualidade e a tempo e horas, pela depressão generalizada, pela tirania da incultura e da imbecilidade dos conteúdos de programas televisivos nos canais das grandes multinacionais do sector.

Atribuir o Prémio Nobel da Paz à União Europeia, só tem paralelo com o que, anteriormente, foi atribuído a Obama, o presidente do império USA, genocida institucional assumido, mas sempre, em nome da “defesa da democracia” e dos “direitos humanos”. É público e notório que a União Europeia mais não é do que a União dos Egoísmos dos Estados europeus, cujos chefes se banqueteiam e passeiam, até fartar, como bestas de colarinho branco, enquanto os seus múltiplos assessores, pagos a peso de ouro com o dinheiro extorquido às respectivas populações, via impostos e outros refinados modos, trabalham dia e noite, para eles se poderem banquetear e passear à tripa forra. Até morrerem gordos, como os porcos, com perdão, para os porcos que o são por natureza, e não nos fazem qualquer mal, até alimentam a muitas, muitos que ainda não dispensam a carne deles e de outros animais, nas suas dietas alimentares.

Bem pode dizer-se que, a continuar assim, o Prémio Nobel da Paz anda pela lama da rua e pelas ruas da amargura, a das populações. E começa a tornar-se escabroso ser-se distinguido, por parte dos senhores do Comité Nobel, também ele europeu e ocidental, pois claro. Benditas, pois, as mulheres, benditos os homens, que, de futuro, não venham a ser achados dignos do Nobel da Paz. É sinal de que as suas vidas são humanas sororais, o bastante, para não caberem nos largos e pervertidos critérios de paz, dos senhores do respectivo Comité Nobel.

Quanto a Durão Barroso e à União Europeia dos Estados, que não dos Povos, o Prémio Nobel da Paz assenta-lhes que nem uma luva, pois que, se há continente que mais guerras desencadeou na história, e mais roubos e conquistas e massacres protagonizou, e continua a desencadear e a protagonizar, é o continente europeu, que tem por pai o cristianismo, com o seu mítico Cristo, o da casa real de David/Salomão e das Cúrias cristãs, a romana e as outras, menos badaladas, mas igualmente cruéis, até no bem-fazer que apregoam fazer. Só por isso, ela, no seu agente de turno, viu-lhe atribuído e aceitou o Nobel da Paz 2012. E acaba de ir orgulhosamente recebê-lo das mãos sujas de sangue dos senhores do Comité Nobel. Para sua vergonha!

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