DIREMS ELS MOTS – DIREMOS AS PALAVRAS – por Josep Anton Vidal

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Publicamos hoje um poema de Josep Anton Vidal, um poema que deve ser antecedido de uma explicação. O ministro da Educação do Estado espanhol, José Ignacio Wert, apresentou um ante-projecto de lei que pretende relegar a língua catalã para a condição de disciplina opcional para os alunos da Catalunha. É mais um avanço na anunciada campanha de espanholização, atacando agora um dos pilares da convivência entre os catalães – a escola; prevê-se que dentro de pouco tempo se sigam os meios de comunicação social, particularmente a televisão… Aquilo que o franquismo não conseguiu – apagar da memória colectiva do povo catalão o seu idioma, a sua história, as suas seculares tradições, está o regime “democrático” a procurar levar a cabo – impor o castelhano como língua oficial e reduzir as línguas nacionais à condição de dialectos, tal como está a fazer já nos outros territórios de língua catalã, na Comunidade Valenciana, nas Baleares, nas terras aragonesas orientais. Indignado com este atentado à cultura do seu País, o argonauta Josep Anton Vidal responde à prepotência do Estado espanhol com este vibrante poema:

Direm els mots

Diré els meus mots, lentament, un a un,

com una lletania, en la penombra,

com qui passa un rosari, reverent,

a la vora del foc, en la nit freda,

amb la boina a la mà, vora el caliu

que a poc a poc s’apaga, i crema encara.

I els diré cap endins, com empassant-me’ls;

en cercaré els sabors, tots els sentits,

l’ànima, el si profund,

l’origen i la història,

i les veus que els han dit… I em faré poble.

I, poble, m’alçaré contra vosaltres

que ens voleu matar els mots, la terra, l’ànima.

Sé bé qui sou i sé prou d’on veniu,

sé la dèria que us guia, sé on aneu.

Conec la vostra història…

No ens podreu pas, sabeu?, no ens podreu pas.

Ens voleu ajupits, humiliats,

i ens alçarem un cop, mil cops si cal…

Ens direm l’un a l’altre els mots. Si cal,

els aprendrem de nou… I ens faran poble.

I no ens podreu, sabeu?, no ens podreu pas.

Mentre el pou sigui pou, la casa casa,

mentre el foc sigui foc i l’arbre arbre,

i sigui vent el vent, la terra terra,

i la sang sigui sang, la lluita lluita,

i l’amor sigui amor…, no ens podreu pas.

Traieu-vos-ho del cap. No ens podreu pas.

Josep A. Vidal (B., 4-12-2012)

Diremos as palavras

Direi as minhas palavras, lentamente, uma a uma,

como uma litania dita na penumbra,

como quem passa as contas de um rosário, reverente,

junto da lareira, na noite fria,

com a boina na mão, junto às brasas

que pouco a pouco se apagam, mas ardem ainda.

Di-las-ei para dentro, como que sorvendo-as:

Procurarei seus sabores, todos os seus sentidos,

a alma, o sim profundo,

a origem e a história,

e as vozes que as disseram… E serei povo.

E, povo, contra vós me erguerei,

vós que quereis matar as nossas palavras, a nossa terra, a nossa alma.

Sei muito bem quem sois e donde vindes,

sei a obsessão que vos guia e para onde ides.

Conheço a vossa história.

Não podereis connosco, sabeis?, não podereis connosco.

Quereis-nos de joelhos, humilhados,

mas erguer-nos-emos uma vez, mil vezes se for preciso.

Passaremos as palavras de boca em boca. Se for preciso,

aprendê-las-emos novamente. E seremos povo.

E não podereis connosco, sabeis?, não podereis connosco.

Enquanto o poço seja pou, a casa casa,

enquanto o fogo seja foc e a árvore arbre,

e seja vent o vento, a terra terra,

e o sangue seja sang, a luta lluita,

e o amor seja amor…, não podereis connosco.

Metei nas vossas cabeças – não podereis connosco.

(Tradução de Carlos Loures)

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