Dizia-me outro dia um amigo ainda a propósito dos que conseguem licenciaturas sem se submeterem diretamente à apreciação dos conhecimentos, que o que o admirava era essas pessoas continuarem a falar em moral , sem sentirem qualquer espécie de vergonha!
O caso já foi mais do que batido mas trazemo-lo à baila, pois é capaz de ser importante os responsáveis pelo ensino ponderarem sobre ele: Duas figuras conhecidas, dos maiores partidos um do PS outro do PSD, que alternam no poder, obtiveram diplomas de licenciaturas por processos pouco claros, o do PS, obteve umas cadeiras de maneira esquisita e o do PSD, as cadeiras todas!
Seriedade, autenticidade, dignidade, honra, atributos pelos quais muitos deram a vida, não parecem hoje fazer parte de determinados indivíduos que nos governam. Nesta terra de doutores, eles buscam o diploma, querem ser tratados por Dr. e Engº , mas consideram certamente, que aquilo que os diplomas representam – saber – é um disparate.
Para além deste chico espertismo, há um aspeto que deve fazer pensar os professores e os agentes de ensino: Que saberes transmitem? As duas pessoas alardeiam conhecimentos, suficientes para fazerem a vida e para terem contactos com dirigentes mundiais. Nestes casos, a falta dos conhecimentos que o diploma lhes proporcionaria não parece ter-lhes feito qualquer falta!
Os sistemas de ensino são navios à deriva que não cumprem as funções para que foram criados. Um sistema de ensino não pode funcionar a 20 Kms hora e preparar pessoas para uma conjuntura que circula a mais de 200 Kms.
Então o que parece estar a suceder é que enquanto uns passam o tempo a esforçar-se e a estudar coisas que não fazem sentido para a vida, há outros que obtém o canudo e andam pelas jotas a tratar dos seus negócios e a angariar conhecimentos que os tornam “mais bem sucedidos”, do que os que seguem os formalismos do ensino.
Para além de estar em causa o caráter de quem obtém os diplomas sem esforço, é importante que os Agentes de ensino meditem nesta situação e procurem que o que veiculam nas salas de aula, prepare as pessoas para a vida. Caso contrário as Universidades passarão a ser apenas produtoras de diplomas e os que ainda se dão ao trabalho de ser decentes, não quererão submeter-se a um ensino para ter um canudo igual ao dos Chicos Espertos.
