RETRATOS, IMAGENS, SÍNTESE DOS EFEITOS DA CRISE DA ZONA EURO SOBRE CADA PAÍS

Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

Os deputados britânicos querem que as multinacionais paguem mais  impostos

Le Monde e  AFP, Dezembro de 2012.

starbuck's

Os deputados britânicos no Parlamento, que recentemente enfrentaram  frontalmente os responsáveis de Starbucks, da  Amazon e de  Google, apelaram na  segunda-feira, 3 de Dezembro à  acção  para obrigar algumas empresas multinacionais estabelecidas no país a pagar mais impostos.

“As empresas multinacionais com uma implantação  significativa no Reino Unido e que dão origem a receitas significativamente importantes têm até aqui pago muito pouco em impostos neste país, ou mesmo não pagando praticamente nada . “É inaceitável e é um insulto às  empresas britânicas e aos  indivíduos que pagam o que lhes é imposto.”, disse Margaret Hodge, Presidente da Comissão de finanças públicas do Parlamento.

Num relatório, os deputados pedem aos serviços dos impostos e aos serviços aduaneiros para  “agirem  com firmeza e imediatamente” e para serem  “mais agressivos” para com essas empresas.

STARBUCKS EM DISCUSSÕES COM AS AUTORIDADES FISCAIS

Entre as soluções propostas, os parlamentares evocam também uma mudança de legislação, uma maior cooperação internacional, a possibilidade  de obrigar as multinacionais a publicarem a sua folha de impostos de forma transparente.

Os grandes grupos estrangeiros – em particular – os americanos pagam pouco ou nenhum imposto sobre os lucros   graças a artifícios contabilísticos  como por exemplo o pagamento de royalties pela utilização da marca ou a transferência de rendimentos  para uma jurisdição mais favorável, apesar dos milhares de milhões de libras ganhos no país.

Os deputados recentemente ouviram  em audição pública  os altos responsáveis da Starbucks, Amazon e Google sobre as suas práticas fiscais. Face à condenação pública, a cadeia de cafés Starbucks   anunciou no domingo passado que iria discutir os impostos com os serviços  fiscais, ao mesmo tempo que repetia que nada  tinha feito de ilegal.

Le Monde  e AFP, Les députés britanniques veulent faire payer plus d’impôt aux multinationales, Dezembro de 2012

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Londres ataca  a evasão e a optimização fiscal

Marc Roche – Londres, correspondente, 4 de Dezembro de 2012

Alto à  evasão fiscal! Como resultado da viva controvérsia  sobre os baixos impostos pagos  pelas empresas multinacionais  localizadas no Reino Unido, o ministro das Finanças britânico, George Osborne, deve anunciar,  no seu  mini-orçamento, quarta-feira, 5 de Dezembro, uma série de medidas para limitar o uso de optimização tributária que essas empresas praticam. O objectivo é o de recuperar cerca de  10 mil milhões de libras (12,3 bilhões de euros).

“As empresas multinacionais, com uma implantação significativa no Reino Unido e que dão origem   a receitas significativas  têm sistematicamente estado a fugir aos impostos , pagando muito pouco ou mesmo quase nada neste país”: num relatório  publicado segunda-feira, 3 de Dezembro,  redigido pelo   Comité  de finanças da Câmara dos Comuns denunciou-se  as práticas “imorais”  que, permitem em toda a legalidade às grandes marcas internacionais  que estão implantadas na Inglaterra  estar a pagar  muito pouco ou mesmo a estarem praticamente sem pagar  impostos .

Assim, em 2011, Amazon     pagou de impostos apenas 1,8 milhões de libras (2,22 milhões de euros) ao fisco quando o  seu volume de negócios foi alto  e calculado em  3,35 mil milhões de libras. Starbucks e Google também estão no centro do atenções.

Utilização de praças off shore

Para escapar à pressão  fiscal, as multinacionais  em questão utilizaram  as praças  off-shore. Os grupos em causa jogam com a manipulação dos preços  estabelecidos para as trocas entre a casa mãe  e as diversas filiais.

A fim de aliviar os  impostos, os lucros são alocados às entidades criadas nestes países  ou nas colónias da coroa, onde seja  baixa a tributação sobre os lucros. Quanto aos  custos, estes estão domiciliados nas nações de elevada tributação  para inflacionar os custos gerais de funcionamento. Assim Amazon  passa pelo  Luxemburgo enquanto que  Starbucks  utiliza a Irlanda  e as Bermudas.

Para facilitar estas operações, bancos, escritórios de advogados  ou responsáveis pelas apresentações das respectivas contas   montam, e para vantagem destes mesmos grupos , empresas vazias , baptizadas  ” special purpose vehicles”,”  destinadas a estruturar   as transacções para  assim se  pagar o menor valor possível em impostos – a famosa optimização fiscal.

“Esta  engenharia financeira, contrária à ética, oferece uma  escapatória  às  regras básicas, segundo as quais  o imposto é um dever e a evasão fiscal uma prática legal mas imoral “, disse Joseph Stead, porta-voz da ONG Christian Aid, que combate este recurso às zonas  extraterritoriais.

CURA DE AUSTERIDADE DRACONIANA

Responder à  repulsa manifestada pela  opinião pública britânica, sujeita  a uma cura de austeridade draconiana, evitando com que fujam as grandes empresas  multinacionais e os expatriados ricos com uma morada do lado de cá do canal da mancha, preservando  um sistema fiscal competitivo… Face a este  desafio, o Chanceler do Tesouro escolheu a via mediana .

Depois de muitos anos em regime, o fisco deve beneficiar de um  alargamento da sua dotação orçamental  para melhor combater a evasão  fiscal. Por outro lado, a celebração de um acordo com a Suíça deve permitir a Londres continuar a fiscalmente perseguir os  súbditos de sua Majestade que estão  instalados sob os céus da Suíça,  geralmente mais clementes.

Além disso, o Ministério das Finanças  faz  pressão, sobre as ilhas do canal e sobre as Ilhas Cayman, nas Índias Ocidentais, para levantar o secretismo que envolve os  “trusts ” que permitem que um proprietário de bens os  possa confiar a terceiros em proveito de beneficiários. Estas estruturas, impenetráveis, permitem  escapar  ao  imposto porque o destinatário final não é conhecido.

O  ministro  Osborne não deverá retornar  à  redução dos impostos sobre os rendimentos mais elevados nem sobre o estatuto  “não-domiciliados” que permite que os estrangeiros ricos só possam  ser  tributados  sobre o património  que tenham na Inglaterra. Finalmente, o governo conta sobre as ameaças de boicote  dos consumidores para  fazer entrar os recalcitrantes na linha.  Confrontado com os  protestos dos seus clientes, a Starbucks anunciou neste fim de semana  as negociações com os serviços fiscais.

Marc Roche – Londres, correspondente, Londres s’attaque à l’évasion et à l’optimisation fiscales, Dezembro de 2012.

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