A TAP é apenas uma companhia aérea, mas a sua privatização parece mais do que uma simples medida de gestão do património nacional por um governo eleito. Eleito, mas de modo nenhum mandatado para andar a proceder a uma autêntica liquidação do país.
Fala-se de uma situação financeira difícil, de prejuízos, de dívidas a pagar. Mas sabe-se que a TAP tem superado numerosas situações difíceis. E que a sua situação orçamental não se deve a uma suposta inviabilidade, mas a várias opções erradas em relação a criação de empresas filiadas. Tem-se notado também que algumas das opções tomadas têm contribuído para diminuir a sua competitividade, para usar um termo em voga.
Ao longo dos anos a TAP tem sido assediada por vários lados, por dentro e por fora. Apesar de uma aparente fragilidade tem resistido. Agora, na voragem privatizadora de Passos/Portas/Gaspar, apareceu à luz do dia apenas um candidato a comprador, a fazer uma oferta complexa. Outros potenciais candidatos afastaram-se ou foram afastados em circunstâncias que têm levantado dúvidas. Entretanto o que se sabe sobre o candidato único também faz despertar dúvidas sobre se manterá as promessas que faz de manter os postos de trabalho, a sede da empresa em Portugal, e outros aspectos. O facto de haver um recuo na operação não invalida que se façam estas considerações.
Outras privatizações, como a da ANA, são claramente prejudiciais financeiramente. As privatizações estão a obedecer a critérios que, bem aprofundados, se conclui que são de carácter ideológico e não financeiro. A TAP para além do seu valor económico-financeiro tem tido também um papel de ligação às comunidades portuguesas e aos países de língua portuguesa que ultrapassa o plano meramente simbólico. A competitividade também assenta nestes aspectos. E a importância da TAP cresce bastante com eles.

