CINZENTO – por Luís Manuel de Almeida Pessoa

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Se fosse contagioso o que me vai cá dentro…

Se a cor que predomina, prevalece na minha alma,

Se espalhasse sobre a Natureza…

Se eu, sem que essa fosse a minha vontade,

Influenciasse o que me rodeia…

As florestas, os jardins e os pomares

Perderiam o seu verde, as suas apetitosas cores…

Deixaria o céu de ter a cor que tem,

Não mais haveria cabelos louros nem ruivos nem castanhos…

Nem olhos azuis nem lábios vermelhos…

Tudo seria cinzento, brumoso, sombrio…

Que essa falta de cor é o que reina na minh’alma…

Um desânimo, um descrer…

Um desespero (ou uma desesperança?…)

Um findar, encurtar de horizontes…

Um nevoeiro denso, pesado, impenetrável,

Um mar sem ondas, chão, apático…

 

Deverei publicar este texto?…

Dá-lo a conhecer? Transmitir a alguém esta minha frustração?

 

É honesto? É positivo?

 

Talvez alguém me leia e diga:

“Olha! Também assim me sinto… Não estou sozinho…”

 Então vale a pena!

 

Luís Manuel de Almeida Pessoa, Vila do Conde, 1 de dezembro de 2012

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