CARTA DE VENEZA – 39 – por Sílvio Castro

 Paul Klee exposto na Galleria Nazionale d’arte Moderna, de Roma

Paul Klee (1879-1940), dentre os artistas das vanguardas históricas novecentistas, é um daqueles melhores exemplos para a proposta de uma leitura comum das características dos séculos XVII e XX, da qual anteriormente recordamos, quando do nosso artigo sobre a arte seicentista de Vermeer. No pintor alemão, nascido na cidade suissa de Berna, muitas das notas típicas da pintura do mestre holandês logo se apresentam com grande visibilidade. Entre essas podemos saliente o particular sentido da luz que Klee propõe nos seus trabalhos, luz que lhe permitirá a conquista daquela que é a sua grande denotação criativa, a profundamente investigada e finalment composta proposta de uma linguagem específica da obra de arte moderna e contemporânea. A partir desta conquista, Klee pôde chegar à convicção de que a arte, mais do que traduzir diretamente a realidade, a transforma numa atuável dimensão propositiva ilimitada. Imagem2

 A exposição romana, presente na Galleria Nazionale d’Arte Moderna, de 9 de outubro de 2012 a 27 de janeiro de 2014, Klee e a Itália, organizada por Tuliola Sparagni e Mariastella Margozzi, nos permite tais leituras, bem como muitas outras sobre a pintura de um dos mais interessantes mestres do vanguardismo artístico do século XX. Principalmente propõe o quanto de importante representou a Itália e a sua arte para Klee.

A exposição de quase cem pezzi, tanto de Klee, como de outros pintores estrangeiros e italianos, entre os quais podemos destacar, entre os estrangeiros, em particular Kandinsky, com o qual a arte do mestre suisso-alemão encontra tantos pontos de contactos, em particular aquele ligado à capacidade de ambos de traduzir igualmente em teoria as pesquisas diretamente artísticas – preocupação começada em Klee no ano de 1913, quando ele traduz para uma publicação na Der Sturm princípios teóricos de Delaunay contidos em “Sur la lumière“; preocupação que em seguida lhe permitirá a realização de vários estudos, como a remarcável Teoria da forma e da figuração. Além de Kandinsky, outros pintores como Moholy Nagy, Max Bill, Albers etc, terão muitos pontos de contáctos com Klee.

Nesse complexo relacionamento, entre os italianos, além daqueles futuristas, estão artistas como Licini, Soldati, Perilli, Novelli etc.

No seu Diário, que se extende de 1898 a 1918, encontram-se muitas passagens que servem a Klee para traduzir a importância que a Itália, a sua paisagem, a sua cultura artística, representa para a trabalhada preparação por ele realizada na perspectiva de tantas operações futuras.Imagem3

Klee visita pela primeira a Itália entre outubro de 1901 e maio de 1902. Nesta estada inaugural, repetida depois por várias vezes nos anos futuros, o pintor começa o seu percurso italiano a partir de Nápoles. Ali, além de procurar o conhecimento da tradição artística, se deixa envolver particularmente pela paisagem e pelas características especiais da gente italiana. Trata-se inicialmente de um contácto que tonteia o jovem Klee em face de uma tal riqueza de expressões que Nápoles lhe sabe oferecer. Mais do que conquistado por tantas características, Klee deixa o seu primeiro espaço de conhecimentos para dirigir-se lentamente na direção de Roma. Ali chegado, o jovem artista se entrega completamente a grande encantamento. Depois da rica paisagem do sul, agora ele pode descobrir igualmente um novo universo artístico que o leva a melhor compreender o passado e contemporaneamente abrir-se para projetos futuros. Quando deixa a Itália, logo depois desse primeiro conhecimento, Klee não cansará de escrever para os amigos anotações de entusiasmo incontido por Roma. Para ele, repete muitas vezes aos amigos, Roma se trnasformara num valor indispensável.

O nórdico Paul Klee se sente fortemente atraído pela realidade mediterrânea. Já na carta que escreve à noiva, em 18 de novembro de 1901, ele revela: “Comigo mesmo digo que até o 1° de março terei visitado todas as galerias e museus.  …  …. Assim considero que empreguei bem o meu tempo e conhecido pelo menos um aspecto da Itália que é para mim o mais importante. “

Nesse mesmo 1901 ele escreve: “A alma anela pelo Sul. Será culpa do Norte ou de que outra coisa?“.

Este Klee sedento de luz é aquele artista revolucionário que – ao mesmo tempo que se notabiliza pelo ensinamento na Bauhaus e pelos escritos teóricos presentes em várias publicações, em particular nas páginas da Der Sturm –  realiza na sua atribulada vida quase 10 000 obras que hoje representam um marco indispensável para o melhor conhecimento da linguagem mais específica da arte contemporânea.

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