O EMBUSTE JUDAICO – UMA LENDA, UM SONHO… TRANSFORMA-SE NUM PESADELO – 5- por Carlos Loures

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O conceito de sionismo

Foi Nathan  Birbaum, um intelectual judeu, que «inventou» em 1891 o conceito de sionismo. Segundo ele, é a biologia e não a língua e a cultura que explica a formação das nações. Para ele, a raça era tudo. E, de acordo com a sua tese, o povo judeu teria sido quase o único a preservar a pureza do sangue através de milénios. É uma especulação que faço pela qual nem Shlomo Sand, nem Miguel Urbano Rodrigues são responsáveis – não terá sido esta tese racista que forneceu argumentos ao racismo nazi e que conduziu ao Holocausto?

Na realidade, os judeus são um povo resultante de uma cadeia de mestiçagens. O que lhes confere uma identidade própria é uma cultura e a fidelidade a uma tradição religiosa enraizada na falsificação da Historia. Como todas as religiões, acrescente-se. Mas coloca-se uma pergunta – se não houve a “grande diáspora”, como apareceram os doze milhões de judeus existentes acualmente fora de Israel?

Maomé conta como, na sua fuga para Meca, se cruzou com tribos hebraicas, mas não diz que no extremo Sul da Península Arábica, no actual Iémen, o reino de Hymar adoptou o judaísmo como religião oficial. Embora no século VII o Islão se tenha implantado na região, quando se formou o Estado de Israel, muitos iemenitas embora falassem árabe continuavam a professar a religião hebraica. No Império Romano, o judaísmo também criou raízes, mesmo na península Itálica. Na Cirenaica, a revolta dos judeus da cidade de Cirene exigiu a mobilização de várias legiões para a combater. Mas foi sobretudo no extremo ocidental da África que houve conversões em massa ao judaísmo, sobretudo de parte dos berberes. A estes se deve a sua introdução no Al Andalus. Foram os berberes e outros magrebinos que difundiram na Península o judaísmo, os pioneiros dos sefarditas que, após a expulsão da Península se exilaram em diferentes países europeus, na África muçulmana e na Turquia.

Refira-se também a conversão ao judaísmo dos Khazars, nómada turcófonos,  que, vindos do Altai, se fixaram no século IV nas estepes do baixo Volga. Tolerando o cristianismo, construíram um poderoso estado judaico, aliado de Bizâncio nas lutas do Império Romano do Oriente contra os Persas Sassânidas. Esse império medieval ocupava uma área enorme, do Volga à Crimeia e do Don ao actual Uzbequistão. Foi extinto no século XIII, quando os Mongóis invadiram a Europa, destruindo tudo por onde passavam. Milhares de Khazars e assumiriam um papel fulcral na colonização judaica da Palestina.

Nos passaportes do Estado Judaico de Israel não é aceite a nacionalidade israelita. Os cidadãos de pleno direito escrevem “judeu”. Os palestinianos têm de escrever “árabe”, nacionalidade inexistente. Ser cristão, budista, mazdeísta, muçulmano, ou hindu resulta de uma opção religiosa, não é nacionalidade. Tal como o judaísmo também não constitui uma nacionalidade.

Amanhã concluiremos esta série de pequenos artigos.

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